Cantinho da Lilly

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1010, 2016

Na minha época era diferente… Mentira, nem lembramos!

Nurya Ribeiro Somos bombardeados de informações o dia todo, e com isso mal lembramos do que comemos ontem na hora do almoço, imagina na ‘nossa época’. Me dei conta que fantasiávamos o ‘ontem’ quando meu segundo filho nasceu e eu nem me lembrava de certas coisas como era na ‘época da minha filha’, que havia nascido há somente um ano e cinco meses. Mentimos! Gostamos de romancear a nossa história. Fica mais fácil. Escondemos a ‘parte feia’, estufamos o peito e falamos: ‘em casa isso não acontece’. Ah, que mentira. Lembre-se: cuspimos para cima, e olha a testa molhada. Claro, que o mundo muda, novas tecnologias chegam, evoluímos - ou deveríamos - chocamos com novos modelos, nos adaptamos a aquilo que nem queríamos nos adaptar. Mas olhar a ‘nossa época’ e romancear é algo que fazemos sem nos atentar, é como colocar em redes sociais que somos o tempo todo muito felizes, me entende? E,  por que gostamos do saudosismo mentiroso? Talvez porque temos uma habilidade fantástica de esquecer da dor. Lei da natureza, uma mãe fica tão encantada de ter um filho que se ‘esquece’ da dor. Gostamos da história das princesas mas sabemos que na real não é nada assim, não é a toa que o desenho acaba antes do ‘dia a dia’ chegar, sim sem o primeiro ‘pqp’ na primeira discussão. Wall Disney era sensacional em romancear a vida. Aliás, se o mesmo fosse vivo, seria - com certeza - chamado pela escola do seu filho Mickey, afinal um rato que vive sonhando, sofreria bullying na certa, e não passaria de ano já que fica ‘viajando’, e hoje em dia tudo tem que ser muito rápido - escrever, ler, falar três línguas. A sogra fala para nora, que na época dela tinha que lavar, engomar, passar -

1808, 2016

Querido mundo, aqui quem vos fala, é alguém do Brasil.

Nurya Ribeiro Eu sei, estou atrasada em falar da abertura das Olimpíadas, mas muita calma nessa hora, estamos falando em Brasil. Que abertura hein?! Lindo! Para falar a verdade não esperava nada diferente. Nossa síndrome de vira-lata na Copa, e na vida, nos fizeram contratar alguém de fora para a ‘parte artística’ em 2014, deu no que deu- com todo respeito - aquela meleca. Mas se tem uma coisa que sabemos fazer bem é festa! Cor, música, beleza, somos muito ricos, mas nossa autoestima é problemática, estamos aprendendo a lidar com isso. Nosso ‘colo’ é igual coração de mãe, sempre cabe mais um. Por isso o acolhimento. Não é à toa que o gigante Djokovic se ‘sentiu um brasileiro’, nossa animação vai além do normal. Em falar em animação, sei que exageramos, aliás desculpe-nos, não sabemos nos comportar em uma Olimpíada. Há muitos jogos que nem sabíamos que existiam, e como em uma festa - que nunca fomos- não sabemos que roupa usar, nós não sabemos como nos portar. Só para você entender a gravidade da situação… Amigo estrangeiro, não temos educação, o dinheiro gasto nessa Olimpíada foi algo absurdo - poderíamos ter tido educação, hospitais, seguranças etc e tal - confesso que fui e sou completamente contra isso - mas como não falamos quanto gastamos em uma festa com os convidados - não quero me alongar - não seria de bom tom eu continuar com essa história, então o que nos resta é lhes receber de braços abertos, coisa que nosso povo sabe fazer bem e como você pode perceber nos estádios até exageramos. Que feio as vaias exacerbadas, apesar que, na minha opinião, alguns até mereciam, principalmente quem em um rompante de falta de senso comparou nosso comportamento ao nazismo (querido ‘amigo’ já que o seu país tem

2207, 2016

Não fomos feitos para viver no ‘conforto’

Nurya Ribeiro Durante toda nossa vida procuramos conforto. Justificamos ‘falando’ que queremos estabilidade, mas isso não tem nada a ver com a ‘sensação’ do estável. A verdade é o que justificamos ao longo da vida são os excessos de confortos que adquirimos durante nossa jornada. Falamos que vamos de carro porque é mais confortável; que não vamos mudar de trabalho porque lá temos tudo - segurança, crescimento garantido. No relacionamento justificamos que ‘somos assim, e não vamos mudar’, que a criança é mal educada porque tem ‘gênio forte’, que comemos a comida congelada/pronta porque é mais prática - basta abrir a embalagem e colocar no microondas - sem falar dos enlatados. Achamos normal ficar o dia todo no celular ‘conectados’, que ter um tablet  ajuda a desenvolver muito mais que brincar no quintal, que tomar o remédio é mais fácil do que mudar a alimentação … enfim justificamos, justificamos e justificamos. Mas a verdade é que não fomos feito para vivermos no excesso de conforto. Olhe ao redor. O que ganhamos com o excesso de conforto? Além de corpos gordos, uma saúde frágil, crianças mimadas, e uma vida que temos que ter sempre mais, ou seja, uma exaustão sem fim. Estagnamos, mas estagnar é andar para trás. Quando saímos do propósito para que fomos feitos e nos escondemos ‘nas explicações’, nos perdemos. Estamos aqui para evoluir, isso é fato. Ninguém quer piorar, mas se isso é realmente verdade, por que ao alcançar o tão almejado conforto, não nos sentimos repletos e prontos para aproveitar? Porque na verdade, precisamos sempre estar em movimento, em busca da melhora não só para nós mas para nossa sociedade, de sair da área de conforto. Agora te pergunto, qual área você precisa sacudir a poeira? Na física, emocional, espiritual, familiar? Não se engane, a estagnação

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