Cantinho da Lilly

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903, 2018

Quem é grato pelo que tem, não lhe falta nada.

Por Nurya Ribeiro Somos criados em cima de necessidades que não são nossas. Precisamos, precisamos e, quando olhamos para o lado, vemos que ‘precisamos’ - só porque o outro tem. A forma como ‘encaramos’ as coisas faz toda a diferença. Existe aquele que chora porque foi roubado, e o outro que fica feliz porque agora poderá comprar algo novo, já que o ladrão levou o que era dele. Nesse mundo de redes sociais, é muito fácil perder o ‘prumo’ da realidade. Sempre a grama do vizinho lhe parece mais verde, mas claro que isso pode ser uma cilada. O que na maioria das vezes é! A grama - que achamos o máximo - pode ser artificial, de plástico, ou seja, uma mentira. Ficamos horas - diariamente - sendo bombardeados por ‘notícias’, ‘informações’, que nos tiram da nossa ‘vida’, e com isso adquirimos referenciais que nem sempre são saudáveis. E, nessa loucura paramos de ver o que nós temos. Verdadeiros milagres acontecem todos os dias. Você acordou? Tem gente que não! Está sem dor? Está seguro? Tem família? Trabalho? Tem membros perfeitos? E, milhares de coisas que temos e nem ligamos. Há pessoas que ficam reclamando por que estão cansadas do trabalho, pela exaustão em cuidar de filhos e etc. Sei que não é fácil. A loucura do dia a dia, se deixarmos, nos engole. Filhos conseguem nos tirar do ‘centro’, e com tantas mentiras sobre a ‘tal’ maternidade, somos ‘tolhidas’ por crenças idiotas, e - então - nos sentimos culpadas por querer ‘esganar’ aquele ‘ser’, porque nos ‘adestraram’ sobre o ‘amor incondicional’, ‘do padecer no paraíso’ e que nessas horas, de desespero, deve ser um puxadinho no meio do inferno. Mas, apesar de tudo isso, esse é o preço que pagamos por estarmos onde estamos. Tudo tem seu preço! Então,

103, 2018

A humanidade precisa ser – mais – gente.

Nurya Ribeiro Construímos luxuosos castelos em cima de areias, mas sempre a onda chega - fazendo seu papel - e levando tudo consigo. Observando as catástrofes da história vejo o quão cruel fomos, e continuamos sendo, uns com os outros. Se, ainda não bastasse acreditamos em ideias, valores ao longo da jornada humana, que o homem ‘botava tanta fé’ de que sempre seria assim - que era o ‘certo’. E, tinha certeza que nunca mudaria. Histórias de pessoas que colocaram todo seu dinheiro em algo que seria o ‘futuro’ - e com isso estavam ‘garantido’ a vida de muitas gerações. E, com muitas dessas pessoas aconteceu que, ela e toda sua família foram arruinadas. Afinal, não temos como prever o imprevisível - a vida. O Holocausto que milhares de pessoas acreditaram em um louco e denunciavam seus vizinhos, e porque não dizer de forma mais humana - seu irmão - porque o outro não fazia parte de uma ‘raça pura’. Pessoas que se mostram superiores aos outros, e a vida, com sua brilhante volta, coloca o humilhado no lugar do ‘ser até então superior’. Crianças morrendo em guerras e, na nossa esquina, e todos continuam preocupados com ‘seus próprios umbigos’. Entre outras coisas lamentáveis. Infelizmente não mudamos muito, sim tivemos um avanço tecnológico imenso, mas ainda erramos por acreditar ‘piamente’ em algo - ideias - tão frágeis como o tal castelo de areia. Claro, que hoje a roupagem é diferente - mais moderna. Lançamos nossos filhos a uma agenda insana desde pequenos, porque achamos que ai sim, o futuro desses estará garantido. Mas, esquecemos o trabalho de casa, os valores que são e serão os verdadeiros alicerces. Achamos que o cachorro é infinitamente mais importante. Uma pausa, adoro cachorro e bichos, mas do jeito que a ‘novela’ caminha daqui a

2302, 2018

Cada um no seu caminho, e todos como um todo.

Nurya Ribeiro Nunca poderia imaginar que em uma reunião de escola, teria um reencontro com minha angústia ‘pré prova’. Reunião escolar da minha filha. Professora querida e muito prestativa nos dava a explicação de como seria o ano e, o início das provas - que até então era uma novidade para minha - não mais - pequena. Claro que hoje é tudo diferente, junto ao fato que agora eu sou a mãe. E, neste momento - durante a explicação - começo a sentir o que sentia nas vésperas das minhas provas: ansiedade, preocupação,  dúvidas. Uau, nem mais lembrava dessas sensações, nada prazerosas. E, a reunião segue, professora aborda a importância de respeitar o tempo e limite de cada um, e então entendi - mais uma vez - que não tenho o direito de impor a minha história, isso inclui crenças ‘tortas’, traumas, sensações, sobre a vida da minha filha. Quantos de nós jogamos sobre nossos filhos, e porque não dizer nas pessoas ao nosso redor, nossas histórias - junto com lixos? Sim, dizemos que é assim e assado. Que passamos isso e aquilo. Que quando tínhamos a idade deles já fazíamos isso e aquilo - só faltamos falar que tínhamos pós-graduação com cinco anos. Um excesso de ‘achismos’ desnecessários lançados em cima de crianças que ainda não têm maturidades. Claro, que tem ‘lugares’ em nós que são ‘terrenos minados’, e devem ser respeitados. Não como uma muleta e sim como barreira de limites. Mas isso não nos dá o direito de querer predeterminar, e mais, jogar nossas sensações em cima do outro. Isso acontece muito na educação em casa, é o famoso: “Você vai ver quando chegar a hora da prova?!” “Isso não dará certo!”, “Esse vai dar um trabalho”, entre outras coisas. E com isso a ‘profecia’, foi tão