Artigos Lair Ribeiro

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Beleza natural e saudável

Há pouco tempo, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou: o Brasil é o maior consumidor de remédios para emagrecer. Enquanto em nações europeias o consumo de medicamentos à base de anfetaminas vem caindo, aqui a história é outra, pois juntam-se a obstinação da mulher brasileira pelo corpo perfeito, a falta de fiscalização dos órgãos competentes junto a farmácias que vendem essas drogas sem receita médica e a imprudência de médicos que emitem receituários solicitando o consumo de tais substâncias indiscriminadamente.

O uso continuado de anfetaminas, além da perda de peso, provoca aumento permanente da pressão sanguínea e distúrbios psicológicos, como agressividade, irritação, paranóia, confusão de pensamento, verborréia (excesso de palavras para dizer coisas de pouco conteúdo), compulsividade e até esquizofrenia. As mulheres constituem 90% dos usuários da droga.

Recente pesquisa revela que pessoas “bonitas” conquistam mais sucesso no ambiente de trabalho e que, além da discriminação por sexo e raça, pessoas bem cuidadas chegam a ganhar 10% mais.

O crescimento da indústria da beleza no Brasil também é revelado pelo crescente aumento de academias abertas em todo o território nacional. De acordo com matéria publicada pela Revista Veja, edição especial, em dezembro de 2003, existiam no Brasil sete mil academias, que atendiam a 3,5 milhões de alunos, representando em torno de 2% da população brasileira. Ainda com base nos dados publicados pela revista, o Brasil só perde para os Estados Unidos em número de academias, onde há 20.200 estabelecimentos abertos. E em relação ao número de pessoas matriculadas, o Brasil vem em quarto colocado, depois dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.

A popularização de cirurgias estéticas também revela o crescimento da indústria da beleza em nosso país. Nessa área, o Brasil perde apenas para os Estados Unidos. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a média é de 500 mil cirurgias por ano, cerca de 60% delas para fins estéticos. Dessas, 70% são em mulheres e 15% em adolescentes.

Vítimas em potencial, as mulheres almejam ter seios como os de fulana, boca igual à de sicrana, bumbum idêntico ao de beltrana e, assim, multiplicam-se copiando corte de cabelo e medidas que não são suas, perdendo sua identidade e beleza natural. Muitas vezes, para conquistar o “corpo perfeito”, exageram nos exercícios físicos, apelam para cirurgias perigosas, privam-se de uma alimentação balanceada e, como resultado, até chegam a atingir as medidas desejadas, mas acabam com a saúde.

Não há beleza maior que a exibida por uma pessoa saudável e em paz com o espelho. Mas o que é beleza? Platão, no século 4 a.C., reconhecia o caráter sensível do belo, dizendo que a beleza é a única idéia que resplandece no mundo. Desde então, o belo e o feio entraram na pauta de discussões. O ditado “gosto não de discute” surgiu a partir das conclusões de filósofos empiristas, que relativizaram a beleza ao gosto de cada um. Por sua vez, Kant afirmou que o belo é “aquilo que agrada universalmente, ainda que não se possa justificá-lo intelectualmente”.

Beleza tem a ver com autenticidade e singularidade. Antes de conquistar olhares alheios, a beleza deve vir de dentro, refletindo um estilo de vida saudável e o prazer em viver bem, com saúde e feliz. O resto, é consequência! O que atrai as pessoas, de verdade, é o belo sorriso e o bom-humor de uma pessoa autoconfiante, pronta para alcançar o sucesso profissional e pessoal.

drlairDr. Lair Ribeiro — Palestrante internacional, ex-diretor da Merck Sharp & Dohme e da Ciba-Geigy Corporation, nos Estados Unidos, e autor de vários livros que se tornaram best-sellers no Brasil e em países da América Latina e da Europa. Médico cardiologista, viveu 17 anos nos Estados Unidos, onde realizou treinamentos e pesquisas na Harvard Unversity, Baylor College of Medicine e Thomas Jefferson University.

Webpage: www.lairribeiro.com.br

e-mail: gruposintonia@lairribeiro.com.br

Tel. 0-55-11-3889.0038

VERDADE CIENTÍFICA SOBRE UM SUPERALIMENTO FUNCIONAL DENOMINADO ÓLEO DE COCO

Vol.18,n.3,pp.109-117 (Mar – Mai 2017) Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR BJSCR (ISSN online: 2317-4404) Openly accessible at http://www.mastereditora.com.br/bjscr
A VERDADE CIENTÍFICA SOBRE UM SUPERALIMENTO FUNCIONAL DENOMINADO ÓLEO DE COCO
THE SCIENTIFIC TRUTH ABOUT A SUPER FUNCTIONAL FOOD DENOMINATED
COCONUT OILLAIR GERALDO THEODORO RIBEIRO*
* Médico, Cardiologista e Nutrólogo, professor contratado e coordenador de curso de pós-graduação lato sensu da Uningá – Centro
Universitário Ingá; Mestre em Cardiologia pela PUC-RJ e Fellow of the American College of Cardiology (FACC).
* Rua José Maria Lisboa, 445, Jardins, São Paulo, São Paulo, Brasil. CEP: 01423-000. sintoniagrupo@uol.com.br
Recebido em 15/03/2017. Aceito para publicação em 20/04/2017
RESUMO
Dados disponíveis em inúmeros livros e trabalhos científicos reconhecidos mundialmente – sendo alguns deles apresentados e discutidos neste artigo – inserem o óleo de coco na categoria hoje classificada como superalimento funcional. Apesar de seus benefícios, trata-se de um alimento ainda subutilizado devido à
falta de conhecimento dos consumidores, incluindo, nesse caso, os profissionais da medicina, que, em sua maioria, não recebem formação voltada para a área nutricional. Insere-se também nesse contexto, associações médicas brasileiras – consideradas referências nas especialidades que representam – que, ao invés
de deter um conhecimento profundo sobre o tema em questão, publicam informações sem embasamento, capazes de deixar a população em geral confusa e insegura sobre o uso desse alimento. Sendo assim, o objetivo principal deste artigo é destacar, de forma didática e com o máximo de profundidade, os reais benefícios do Cocos nucifera, com base em evidências científicas que comprovem esse fato.
PALAVRAS-CHAVE: Óleo de coco; Ácido láurico; Termogênese; Triglicérides de Cadeia Média; Monolaurina.ABSTRACT
Data available in numerous books and scientific studies recognized worldwide – some of them presented and discussed in this article – include coconut oil in the category today classified as super functional food. Despite its benefits, it is a food still underutilized due to the lack of consumer knowledge, including, in this case, medical professionals, who, for the most part, do not receive training focused on the nutritional area. It is also in this context that Brazilian medical associations – considered as references in the specialties they represent – that, instead of having a deep knowledge about the subject in question, publish information without foundation, capable of leaving the general population confused and insecure about the use of this food. Therefore, the main objective of
this article is to highlight, in a didactic way and with maximum depth, the real benefits of Cocos nucifera, based on scientific evidence to prove this fact.
KEYWORDS: Coconut oil; Lauric acid; Thermogenesis; Medium-Chain Triglycerides; Monolaurin.
1. INTRODUÇÃO
Atualmente milhares de trabalhos científicos e mais de mil livros, disponíveis no site da Amazon, revelam as propriedades do chamado coconut oil. Em meio a essa extensa bibliografia, alguns títulos se destacam, como,
por exemplo:
– The coconut oil miracle e Coconut cures – ambos de autoria do Dr. Bruce Fife, um dos maiores pesquisadores mundiais sobre os benefícios do óleo de coco;
– Coco – O milagre de uma gordura – escrito pelo Dr. Sérgio Puppin;
– The ultimate coconut book – lançado por Shelly MacDonald e Jeff Penca;
– Coconut oil – publicado por Brian e Marianita Jader Shilravy, que traz em suas páginas mais de 100 depoimentos sobre o poder curativo do óleo de coco;
– Fatty acids in foods and their health implications –, com um total de 1.181 páginas, discute as propriedades dos ácidos graxos, incluindo os do coco, e aborda seus benefícios para a saúde, descritos pelo Dr. Ching Kuang Chow.
A relevância desse alimento também é comprovada com uma simples busca na internet, utilizando como mecanismo de pesquisa as palavras “coconut oil” (entre
aspas), que registra: mais de 25 milhões de citações no Google; mais de 125 mil citações Google Scholar (Google Acadêmico); mais de 9.000 artigos publicados no site Mercola.com (o maior site médico do mundo); um total de 1.659 artigos científicos disponíveis na plataforma acadêmica PubMed.
Além disso, é possível encontrar mais de 1.300 livros dedicados à dieta cetogênica (ketogenic diet), apoiada no uso dos Triglicérides de Cadeia Média (TsCM), que são, na sua maioria, provenientes do coco e altamente benéficos para o organismo, pois transformam-se em energia e não provocam aumento de peso. Vale explicar que os ácidos graxos podem ser de cadeia curta, média ou longa. Os principais de cadeia curta (até 6 carbonos) são
o acético (etanoico); vinagre, propiônico (propanoico), butírico (butanoico), valérico (valeriânico) e caproico (hexanoico). Os de cadeia média (8 a 12 carbonos)
correspondem ao caprílico (n=8), cáprico (n=10), láurico (n=12). Os principais de cadeia longa (14 ou mais carbonos) são classificados como mirístico (n=14),
palmítico (n=16), esteárico (n=18), araquídico (n=20), beénico (n=22) e lignocérico (n=24). A principal diferença é que, após serem assimilados pelo intestino, os
ácidos graxos de cadeia longa são direcionados, principalmente, para o coração e depois para o fígado, onde são acoplados às lipoproteínas carreadoras do tipo
LDL (proteína de baixa densidade), que levam os ácidos graxos até os tecidos. Depois são transportados de volta ao fígado pelo HDL (lipoproteínas de alta densidade) e excretados pela bile.
Já os ácidos graxos de cadeia média, a exemplo do óleo de coco, são transportados, via veia porta, diretamente do intestino para o fígado, onde se
transformam em energia. Eles não são depositados em adipócitos, sendo, por isso, incapazes de promover ganho de peso. Ao contrário, são termogênicos. Sendo assim, os TsCM contribuem para o aumento do metabolismo basal, dispensando a presença de ácido clorídrico e bile durante sua digestão e absorção. O óleo de coco, portanto, auxilia na absorção de outros nutrientes, como vitaminas e minerais, não se armazena nos adipócitos na forma de triglicérides, é menos calórico do que os outros óleos e não requer insulina durante seu metabolismo.
2. MATERIAL E MÉTODOS
Para desenvolver esta revisão integrativa foram obedecidas às seguintes etapas:
1) identificar a questão norteadora, seguida pela busca dos descritores ou palavras-chaves;
2) determinar os critérios de inclusão ou exclusão da pesquisa em bases de dados online;
3) categorizar os estudos, sumarizando e organizando as informações relevantes;
4) avaliar os estudos pela análise crítica dos dados extraídos;
5) discutir e interpretar os resultados examinados, contextualizando o conhecimento teórico e avaliando quanto sua aplicabilidade.
No presente estudo, a questão norteadora da revisão integrativa foi revisar a literatura no sentido de evidenciar estudos que classificam o óleo de coco como
superalimento funcional. Para isso, foram consultadas as bases de dados LILACS (Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), a biblioteca SciELO (Scientific Electronic Library online) e PubMed (National Center for Biotechnology Information – NCBI, U.S. National Library of Medicine) e Amazon,
independentemente de seu idioma de origem.
3. DESENVOLVIMENTO
Rico em ácido láurico, que constitui 47% de seu índice de ácidos graxos, o óleo de coco tem inúmeras ações terapêuticas comprovadas. Em contato com pH ácido
(equivalente a 2,0) do estômago, transforma-se em monolaurina, um poderoso antivirótico, antibacteriano e antifúngico, que não gera resistência, nem efeito colateral. A monolaurina também age contra a ação de parasitas. Em uma rápida pesquisa na plataforma Google Acadêmico, a palavra “monolaurin” (entre aspas) registra 2.370 resultados. Aliado a esses atributos, o óleo de coco é reconhecidamente um potente anti-inflamatório, capaz de reduzir o LDL e aumentar o HDL, sem alterar os níveis de colesterol, na maioria dos estudos onde o perfil lipídico foi avaliado. Tem efeito antitrombótico e inibe a peroxidação lipídica, agindo como antioxidante, devido a sua alta concentração de vitamina E e ácido gálico. Esses e outros benefícios são comprovados em artigos e na
literatura científica médica, que destacam sua ação na prevenção e no tratamento eficaz de diversas patologias, como Doença de Alzheimer, HIV/AIDS, doenças
cardiovasculares, câncer, diabesidade (diabetes + obesidade) e infecções. Os corpos cetônicos – incluindo acetona, acetoacetato e betahidroxibutirato –, gerados a partir dos TsCM do óleo de coco, contribuem significativamente para o metabolismo energético do cérebro. Em seu livro, a Dra. Mary T. Newport1, após tratar seu marido com óleo de coco e TsCM, relata como a dieta cetogênica auxilia na remissão e cura da Doença de Alzheimer, resultando em uma regressão importante tanto na sintomatologia motora quanto cognitiva.
Os ácidos TsCM, por sinal, correspondem a 64% da composição do óleo de coco, tornando esse alimento ideal para recém-nascidos – quando utilizado em fórmulas infantis – e idosos submetidos à nutrição parenteral. Pacientes em estado de coma – que passam por longos períodos de incapacitação e distantes da dieta convencional –, por exemplo, podem receber TsCM provenientes do óleo de coco diretamente na veia (alimentação parenteral), com o propósito de auxiliar a recuperação. No processo de emagrecimento, amplamente pesquisado por Geliebter2, a maior contribuição dos TsCM refere-se ao seu total calórico (6,8-8,6 calorias para os Triglicérides de Cadeia Média versus 9,0 para os TGs de cadeia longa) e ao estímulo ao metabolismo basal (TsCL acima de 4% e TsCM superior a 14%)3. Eles também são mais rapidamente absorvidos e transformados em energia, não são armazenados na forma de gordura, estimulam discretamente a função tireoidiana e provocam saciedade. Resultados de uma pesquisa realizada por Assunção et al.4 revelam que mulheres com obesidade abdominal e
menor que 35 kg/m2, tratadas com 30 ml de óleo de coco por 12 semanas, registraram uma redução do IMC e da circunferência abdominal. Por se tratar de um modulador de peso, indivíduos submetidos a uma dieta com óleo de coco, se forem obesos, tendem a emagrecer e, se estiverem muito magros, tendem a ganhar peso. Além de seus benefícios intrínsecos, o óleo de coco, quando utilizado na culinária, não gera gorduras trans e substitui os óleos vegetais poli-insaturados ômega-6, que são pró-inflamatórios. Devido ao aumento da relação HDL/colesterol total e a não geração de gordura trans, também é ideal para cozinhar, assar e fritar alimentos5. A contribuição dos TsCM e do óleo de coco no tratamento da diabesidade (diabetes + obesidade) é mencionada em diversos trabalhos científicos, a exemplo dos conduzidos por Geliebter6; Baba7, Hill et al.8, Scalfi9, Garfinkel et al.10, Parekh et al.11, Lindeberg et al.12, St-Onge et al.13, Han et al. 14, Cardoso et al.15.
Enquanto os benefícios das gorduras de cadeia média no tratamento do diabetes tipo 1 foram pesquisados e demonstrados por Page16, outros estudos destacam que o óleo de coco, por meio do ácido láurico – que se transforma em monolaurina –, atua contra bactérias e microrganismos, como, por exemplo, Candida albicans,citomegalovirus, clamídia, estreptococos dos grupos A, F e G, Neisseria ghonorreae, Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae e vírus HIV, sem afetar a microbiota intestinal17.
Os ácidos graxos terminam em um grupo carboxílico. Quando se unem ao glicerol, em três posições, formam-se os triglicérides. Caso sejam dois, o resultado será um diglicérides e, apenas um, será um monoglicérides ou poderá se apresentar como ácido graxo livre, separado da molécula do glicerol. As gorduras são ingeridas na forma de triglicérides, transformadas pelo trato digestório em monoglicérides ou ácido graxo livre antes de seremabsorvidas.
Em seus 8.000 anos de existência – amplamente praticada nos dias atuais – a medicina ayurvédica considera o óleo de coco um ingrediente essencial em
inúmeras preparações medicinais. Mesmo diante dessa realidade, é possível encontrar profissionais da nutrição que classificam esse alimento prejudicial à saúde humana, sem mostrar nenhum dado científico que comprove tal afirmativa, assim como apresentado em programas de TV.
Relembrando uma frase de Abraham Lincoln: “Podemos enganar poucos, por muito tempo. Podemos enganar muitos, por pouco tempo, mas não podemos
enganar muitos, por muito tempo”. Óleo de coco X outros óleos vegetais Sendo assim, a comparação entre lipídeo e gordura exige sempre a avaliação do seguinte aspecto bioquímico e fisiológico do organismo:
1) Um triglicéride (gordura) ou triacilglicerídeo (TAG) equivale a um glicerol mais três ácidos graxos. Cerca de 95% das gorduras ingeridas na dieta vêm na
forma de triglicérides (TGs), que constituem a principal reserva energética do organismo. Com base nesses fatos, torna-se, portanto, insensato
afirmar que o óleo (gordura) de coco seja prejudicial à saúde. O organismo não oferece nenhuma resistência ao seu metabolismo, o que não ocorre com os demais óleos produzidos a partir da canola (óleo de colza), soja, girassol, milho, amendoim, etc. Para evitar que fiquem rançosos, após 10 dias de produção, esses óleos são hidrogenados parcialmente, fazendo com que durem mais tempo nas gôndolas dos supermercados. Se por um lado isso beneficia toda sua cadeia produtiva, por outro compromete substancialmente a saúde da população, que, na realidade, consome gordura trans, um verdadeiro antinutriente.
Interessante destacar que entre as populações onde predomina o uso do óleo de coco praticamente não existem diabetes, hipertensão e colesterol elevado, segundo dados de diversas pesquisas conduzidas mundialmente. Em contrapartida, o óleo canola, erradamente considerado um aliado da saúde, é derivado
da criação de uma nova molécula, que deveria ser testada, conforme sugerido pelo Dr. David Klurfeld. Vários estudos apontam para esse fato, revelando que o óleo canola:
1) É um dos óleos mais prejudiciais à saúde humana, sendo a colza, sua fonte de origem, uma planta considerada venenosa até mesmo para os animais, por
apresentar 55% de ácido erúcico em sua composição original;
2) A colza é uma planta utilizada na produção de lubrificante, que tem o ácido erúcico como componente, um dos causadores de miocardiopatia. Diante da inexistência de uma planta denominada canola, confirmase a inexistência do óleo de canola. Existe óleo canola, mas não óleo de canola;
3) Tem seu nome derivado da sigla CANOLA (Canadian Oil Low Acid). Modificada geneticamente pelo governo canadense, a colza, ao invés de apresentar
55% de ácido erúcico, produz entre 1% a 5% desse ácido, recebendo, nesse caso, o nome CANOLA. Quando hidrogenado parcialmente, o ácido erúcico, presente na colza, se transforma em ácido brassídico, ainda mais prejudicial ao organismo por se tratar de uma gordura trans. Colza é a tradução da palavra rapeseed em inglês, que também pode significar “a semente que estupra”.
Importante mencionar que a formação de aldeído tóxico, em milimoles por litro, após aquecimento em temperatura de 180°C pelo período de 30 minutos,
corresponde a 1 (um) no processo de fritura com óleo de  coco, a 1,5 com manteiga, quase 3,0 com o óleo de oliva extra virgem, quase 5,0 com óleo de milho e mais de 5,0 com óleo de girassol. Portanto, entre os óleos disponíveis, o óleo de coco pode ser considerado o ideal para cozinhar, assar e fritar.
Colesterol não é gordura
Três tipos de lipídeos são conhecidos: os esteróis: incluindo fitoesterol, ergosterol e colesterol, os lipoides: como os fosfolipídios, a exemplo da fosfatidilcolina
(lecitina), e as gorduras. Toda gordura é um lipídeo, mas nem todo lipídeo é uma gordura. O colesterol é um lipídeo, mas, ao contrário do que muitos acreditam, não é uma gordura, mas um esterol. Existe, portanto, um grave equívoco relacionado à teoria da dieta cardíaca tradicional. Até hoje acredita-se
que o aumento na ingestão de gordura saturada – considerada erradamente colesterol – provoca a elevação do colesterol sanguíneo e, consequentemente, das
doenças cardíacas. Porém, trata-se apenas de uma hipótese, que nunca foi confirmada por nenhum estudo científico. Dois estudos recentes, apoiados em metaanálise e avaliação conjunta de mais de 800 mil pacientes, concluíram que o consumo de gordura saturada não aumenta o risco para doenças cardiovasculares18;19. Conduzidas em 2010 e 2014, essas pesquisas analisaram um total de 878.272 pacientes, resultando em uma mesma conclusão: gordura saturada não aumenta o risco para doença cardiovascular.
Origem do equívoco
Capa da revista Time, em 13 de janeiro de 1963, o fisiologista Ancel Keys, depois de avaliar dados epidemiológicos da população de 22 países, elegeu sete,
com o intuito de estabelecer uma correlação entre o aumento no consumo de caloria e gordura às mortes causadas por doença cardíaca, embasando essa teoria de
forma pioneira. Sem estabelecer uma relação de causa e efeito, e sim promover apenas uma correlação, Keys simplesmente ignorou dados de 15 países pesquisados, uma vez que não se ajustavam à sua hipótese.
Também ignorou o fato de que nações como Finlândia e México, que consumiam quantidades equivalentes de calorias em suas dietas, apresentavam índices de doenças coronarianas extremamente diferentes em suas populações (24 vezes maior na Finlândia do que no México), conforme apresentado, posteriormente, por Jacob Yerushalmy, da Universidade da Califórnia- Berkeley, nos Estados Unidos.
Em seu trabalho, Yerushalmy incluiu os dados obtidos nos 22 países, revelando que, se todos fossem considerados, os resultados seriam o oposto do que foi
divulgado por Keys. Isso faz com que a teoria de que as gorduras saturadas aumentam o colesterol seja totalmente contestada, considerando-se que:
1) O colesterol compõe 50% das membranas celulares;
2) Reduz níveis de Lp-a (lipoproteínas), consideradas um fator de risco para doenças ateroscleróticas;
3) O coração não depende de glicose, mas, fundamentalmente (cerca de 60% a 70%), de ácidos graxos saturados;
4) 75% da placa aterosclerótica é formada por gorduras poli-insaturadas de origem vegetal e não por gordura saturada;
5) 55,3% da gordura do leite materno, o melhor alimento segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é saturada.
6)Estudos recentes, incluindo os realizados com 878.272 indivíduos, mostram que a ingestão de gordura saturada não aumenta o risco para doença
cardiovascular18,19 Habitantes do norte da Índia consomem 17 vezes mais gordura saturada que os do sul e têm sete vezes menos doenças cardíacas20. Conforme pesquisa realizada nadécada de 1960, por George Mann, da Universidade de Vanderbilt, os membros da tribo Masai, no Quênia, alimentavam-se, predominantemente, de carne vermelha e leite, em uma dieta composta com cerca de 60% de gordura, sendo pelo menos metade dessa gordura saturada.
Essa dieta também era suplementada com sangue bovino, extraído diariamente dos animais. Curiosamente, os masais eram muito magros, tinham níveis mais baixos de colesterol, além de serem, virtualmente, livres de doenças cardíacas. Pesquisadores britânicos também monitoraram um grupo de homens da etnia mas ai notando que, – após a mudança desses nativos para Nairóbi, capital do Quênia, que ocasionou o consumo de alimentos industrializados e grande quantidade de carboidratos –, houve uma elevação nos níveis de colesterol e um aumento substancial na prevalência de doença cardiovascular.
Isso apenas comprova que a ingestão de muita ou pouca gordura saturada não aumenta nem diminui o risco de doença cardiovascular, conforme ressaltado na
conclusão dos dois estudos mencionados. Após realizar uma pesquisa com 1.700 pacientes com aneurisma de aorta, o Dr. Michael DeBakey também não encontrou nenhuma correlação entre os níveis de colesterol sanguíneo e a incidência de aterosclerose21. Outro estudo, dessa vez promovido com uma comunidade longeva da Geórgia (ex-União Soviética), revelou que aqueles que ingeriam os alimentos mais gordurosos tinham vida mais longa22.
Segundo Alfin-Slater et al.23, o colesterol proveniente da dieta alimentar tem um papel importante na manutenção da saúde da parede intestinal. Hoje, sabe-se
que a disbiose causa muitos problemas ao organismo, sendo o intestino responsável pela origem de doenças autoimunes, que podem ser prevenidas com a ingestão de gorduras saturadas. Em uma das pesquisas epidemiológicas mais significativas para a cardiologia mundial, realizada na pequena cidade de Framingham, no início de 1948, no estado de Massachusetts, com 40 anos de follow-up (acompanhamento) da população analisada, o Dr.
Castelli, professor de Harvard Medical School e coordenador do estudo, destacou na conclusão do artigo sobre o tema que24:
“Em Framingham, quanto mais gordura saturada, mais colesterol e mais calorias alguém ingere, mais baixo é o nível de colesterol no sangue da pessoa”. (Castelli et al., 1992). Fatos históricos apoiam essa conclusão, como pode ser verificado na comparação da dieta nos Estados Unidos, entre 1910 e 1970, apresentada em artigo publicado por Enig25. Enquanto em 1910, o infarto do miocárdio inexistia naquele país, predominando a dieta gordura animal (83%) e o consumo anual de oito quilos de manteiga, em 1970 o infarto do miocárdio passou a ser a principal causa de morte, embora o uso de gordura
animal tivesse sido reduzido para 62% e o consumo de manteiga para 1,8 kg.
Engano histórico
Com base nesse fato, é possível concluir que a população de forma geral foi equivocadamente conduzida a trocar a gordura saturada pela insaturada dos óleos
vegetais. Interessante destacar que no período mencionado no estudo da Dra. Mary Enig – considerada a maior autoridade mundial em gordura, sendo uma das
principais defensoras do óleo de coco – o consumo de óleos vegetais poli-insaturados aumentou 400%. Lembrando que, ao serem aquecidos, os óleos vegetais
transformam-se em gorduras oxidadas, tóxicas ao organismo, ao contrário das gorduras saturadas. Em 1911, os óleos insaturados foram introduzidos à dieta dos americanos. Após concluir sua pós-graduação na Europa, em 1918, o Dr. Paul Dudley White trouxe, da Holanda para os Estados Unidos, o primeiro eletrocardiógrafo, detectando, mesmo em meio a dúvida de inúmeros colegas, a ocorrência do infarto do miocárdio após sete anos de estudos e avaliações. Em 1930, três mil pessoas morreram em decorrência de infarto país, número que saltou para 300 mil, em 1960. Amedrontada com a possibilidade de sofrer uma
doença cardiovascular, a população americana exigiu providências, o que resultou em uma campanha maciça contra o consumo de gorduras e, consequentemente, uma mudança de estratégia das empresas de produtos alimentícios.
Com a redução da gordura em sua composição, os produtos ficaram praticamente sem sabor, levando a uma adição considerável de açúcar e carboidratos para se
tornarem agradáveis ao paladar. No entanto, conforme já comprovado em estudos com ratos, o açúcar causa um vício maior do que o provocado pela heroína. Porém, é fato que muito dessa história, com o passar dos anos, se perdeu. Hoje, infelizmente, é perceptível o desconhecimento referente a essa questão e nítida a forma como as informações equivocadas são disseminadas. Como a realidade, muitas vezes, difere daquilo que muitos defendem, atualmente vemos indivíduos – que seguem durante anos uma dieta com baixa quantidade de gordura e alta de carboidratos – apresentarem um comprometimento de seu perfil hormonal esteroidal e um desequilíbrio dos neurotransmissores, capaz de provocar compulsão alimentar. Lembrando que os hormônios esteroidais dependem de colesterol. Sendo assim, é preciso compreender que existe uma diferença importante entre os óleos saturados, monoinsaturados e poli-insaturados. Quando uma pessoa compra um óleo vegetal poli-insaturado, leva para casa o percentual gordura trans necessário para não tornar esse produto rançoso na gôndola do supermercado. A salubridade de um óleo depende, basicamente, da cadeia de carbonos, da sua suscetibilidade à peroxidação, dos radicais livres gerados e da sua saturação. Grande parte da composição do óleo de coco já é saturado. No entanto, é composto de ácidos graxos saturados de cadeia média, cujo metabolismo muito diferente dos de cadeia longa.
Dados científicos
Nos Estados Unidos, 2.500 pessoas morrem a cada 24 horas em decorrência de algum problema cardíaco. Iss corresponde a uma pessoa morta a cada 34 segundos. Em contrapartida, habitantes das ilhas do Pacífico Sul não sofrem doença cardíaca. Foi com base nessa comparação que o Dr. Ian A. Prior e o
Dr. Jon J. Kabara conduziram um estudo26 apoiado na análise da dieta com alta ingestão de óleo de coco (75% da gordura consumida) dos habitantes das ilhas de Puka-Puka e Tokelau, na Nova Zelândia.
Entre os resultados, nota-se que, apesar da alta ingestão de óleo de coco, os moradores desses locais praticamente não apresentavam diagnóstico de doença
cardiovascular. No entanto, ao se mudar para a capital Wellington, na Nova Zelândia, a população avaliada anteriormente registrava um aumento nessa incidência, devido ao consumo de alimentos industrializados. Uma meta-análise de 60 ensaios clínicos sobre TsCM e lipidograma revela que triglicérides de cadeia média, presentes no óleo de coco, melhoram o perfil lipídico das npessoas27. O óleo de coco também estimula a relação HDL/colesterol total, quando se considera que as populações que se alimentam, predominantemente, de coco têm uma incidência muito baixa de doença cardiovascular, segundo dados divulgados nas pesquisas de Lindebergh et al.28 e de Mendis et al.29. Kaunitz30, por sua vez, concluiu que, apesar de o índice de ingestão de coco ser o mais alto da República das Filipinas, a região de Bicol apresentava a mais baixa incidência de doença cardíaca do país. Entre os dados publicados pelos autores, nota-se que a mortalidade em decorrência de DCV e AVC, por 100 mil habitantes/ano, correspondia a 1.802 na Rússia, 814 no Estados Unidos, 548 no Japão e apenas 120 nas Filipinas, país que é um dos maiores consumidores de coco do mundo. Em outra pesquisa, Dayrit31 reforça que a região de Bicol registra a mais baixa incidência de DCV do país, ao mesmo tempo em que se posiciona como a maior consumidora de coco nas Filipinas. A evidente relação entre o consumo de óleo de coco e os baixos níveis de doenças cardiovasculares é comprovada em outros estudos relevantes, relacionados nas referências bibliográficas deste artigo e disponíveis para a consulta de quem busca mais conhecimento sobre o tema15, 27, 28, 30, 31, 32, 33-41.
Conquistando interesse semelhante, os efeitos benéficos da água de coco nos níveis de HDL são demonstrados em artigo de Zhao et al.42. Na relação entre
cálcio e magnésio, a água de coco com 1:1,04 revela outro atributo, em comparação a 1:3 na água do mar; 1:1 na abóbora; 7:1 no leite de vaca; 27:1 no suco de laranja; 100:1 nos antiácidos. Entre sódio e potássio, essa relação, dessa vez comparada ao leite de coco, equivale a 0,42, sendo que a água de coco contém mais potássio do que sódio (2,4:1) e magnésio do que cálcio (1,04:1). Esses resultados fizeram com que pesquisadores desenvolvessem um estudo sobre a aplicação intravenosa da água de coco43, nos casos de litíase renal44 e glaucoma intracocular45.

Composição do coco
A espécie Cocos nucifera (coco) é originária do Cabo Verde, sendo introduzida no Brasil, em 1553, anos após o descobrimento do país. O coco é composto,
essencialmente, por 47% de água, 34% de gordura, 11% de fibras, 4% de proteína e 4% de amido e açúcar. Quando seco, sua composição corresponde a 3% de água, 64% de gordura, 15% de fibras, 9% de proteínas e 9% de açúcar e amido.
O óleo de coco, por sua vez, tem sua composição apresentada no Quadro 1.
Quadro 1. Composição do óleo de Coco nucifera.
47% de ácido láurico (12)
18% de ácido mirístico (14)
9% de ácido palmítico (16)
5% de ácido oleico (18:1, n-9)
2% de ácido esteárico (18)
2% de ácido linoleico (18:2, n-6)
9% de ácido caprílico (08)
7% de ácido cáprico (10)
1% de ácido caproico (0.6), excelente para o intestino grosso
drlair
Figura 1. Composição do óleo de Coco nucifera, de acordo com o Quadro 1.
No processo de aproveitamento in natura com fibras, sais minerais, ácidos graxos de cadeia média (caprílico, cáprico e láurico), proteínas, vitaminas (A, B1, B2, B5 e C) e água, o coco passa por uma etapa de moagem e de prensagem a frio, em que ocorre a extração do leite, óleo (virgem e extra virgem) e coco desidratado. Nesse caso, não são utilizados aditivos e o óleo tem acidez inferior a 0,5%.
Além de saborosa, a água de coco é um excelente hidratante natural, rica em sais minerais, com uma concentração isotônica para o organismo humano.
Ingerida três vezes ao dia, uma colher de sopa de óleo de coco (14 gramas) é capaz de prevenir e contribuir no tratamento de inúmeras doenças.
Ainda em relação aos seus benefícios, o óleo de coco promove o aumento da termogênese geral, da betaoxidação, da termogênese pós-prandial, da produção de
CCK e PPY e da sensação de saciedade, além de apresentar propriedades antivirais, antifúngicas e antibacterianas. É capaz ainda de inibir a transcriptase
reversa do HIV, impedindo a manifestação da AIDS, e agir como imunomodulador (ácido láurico), contribuindo na prevenção de doenças autoimunes.
O uso do ácido láurico no tratamento de várias doenças, especialmente a AIDS, conquistou espaço em sites médicos especializados, que, frequentemente,
abordam esse tema com a publicação de diferentes estudos e pesquisas. Neles, é possível verificar que 14% da gordura saturada presente no leite materno é composta por ácido láurico, assim como no óleo de babaçu (44%), o caroço do óleo de palma (48,2%) e o óleo de coco (47%). Os efeitos terapêuticos desse importante componente para a saúde também são abordados em
Laurico Mirístico Palmítico
Caprílico Cáprico Oleico
Esteárico Lenoleico Caproico
Rica em fibras, a manteiga de coco não requer insulina para ser digerida, sendo, portanto, ideal para pacientes diabéticos. Por ser imunomoduladora, beneficia também pacientes com doenças autoimunes. Estudos realizados na Índia permitiram concluir que o coco seco, assim como o sulfato de magnésio, promove a eliminação de 90% dos parasitas presentes no organismo, após 12 horas de ingestão. Triglicérides de Cadeia Média são eficientes contra cândida, H. Pilory e giárdia. Corrimentos provocados por candidíase, por exemplo, podem ser curados com a ingestão de três colheres de óleo de coco, no período de 30 dias. Diversas pesquisas – também disponíveis para leitura, conforme relação sugerida nas referências  bibliográficas deste artigo47-52 –, comprovam os benefícios do óleo de coco e dos TsCM em infecções e infestações. A dissolução das gorduras presentes na capa protetora dos vírus é outra importante ação atribuída ao ácido
láurico (monolaurina) presente no coco, descrita por Dayrit49 e Hierholzer e Kabara53. Petschow et al.54, por outro lado, conduziram um importante estudo sobre os benefícios dos TsCM nas úlceras com presença de H. Pylori. Especificamente no sistema digestório, as propriedades dos TsCM auxiliam no tratamento do cólon irritável, da colite ulcerativa, da fibrose cística e da Doença de Crohn, sem provocar nenhuma alteração na microbiota intestinal.
Quando o assunto em questão é o tratamento do câncer, diversos estudos mostram de que forma o óleo de coco torna-se um importante aliado. Essas pesquisas
também estão disponíveis para leitura, conforme títulos relacionados nas referências bibliográficas deste artigo55-58.
Assim como a manteiga de coco, o farelo de coco é rico em fibras (61%), sendo 7% solúvel e 93% insolúvel. Burkitt59 destaca que as fibras auxiliam no tratamento da apendicite, da hérnia hiatal – que nos Estados Unidos manifesta-se em um em cada quatro adultos e no Quênia em um em cada mil adultos –, das hemorroidas, dos cálculos biliares, das veias varicosas e da diverticulose, assim como das DCVs, além de promover uma melhor sensibilidade insulínica. Diante de todas essas constatações – cientificamente documentadas –, é possível afirmar com plena convicção, contrariando as informações erradamente divulgadas
sobre o assunto em questão, que, mais do que um excelente alimento, o coco e seus derivados contribuem para a manutenção da saúde, devido a sua ação
antibiótica, anti-inflamatória e imunológica, considerando que os TsCM presentes em sua composição diminuem o IL1, IL-6 e IL-9 e aumentam o IL-10.
Para finalizar, alguns websites de referência reforçam ainda mais esses atributos:
 www.coconutoil.com
 www.fda.gov/oc/initiatives/transfat
 www.westonaprice.org
 www.lauric.org/index.html
 www.westonaprice.org/knowyourfats
4. CONCLUSÃO
Em 2005, o New England Journal of Medicine (NEJM) publicou um trabalho revelando que, pela primeira vez na história da humanidade, a geração que
está nascendo vai viver menos do que a de seus pais. Grande parte dessa responsabilidade deve-se aos óleos vegetais (gordura trans, antinutriente), amplamente
comercializados e usados no preparo de refeições servidas dentro e fora de casa. Na lista formada por esses óleos, muitos deles
divulgados como agentes da saúde, um dos destaques é o canola, o mais deletério, devido, principalmente, à presença de ácido erúcico (causador de cardiopatias) em sua composição. Na contramão dessa constatação, encontra-se o óleo de coco – um superalimento –, capaz de promover inúmeros benefícios à saúde, mas que enfrenta adversidades decorrentes do desconhecimento de seus atributos e à divulgação de informações indevidas, feitas
sem nenhum embasamento científico. Além de toda a relação de materiais que comprovam os atributos do óleo de coco disponíveis neste artigo, é
importante ressaltar que não foi encontrado nenhum trabalho na literatura médica que indique que seu uso seja prejudicial à saúde humana de qualquer forma.
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OS 6.000 ANOS DE HISTÓRIA MEDICINAL DO ALOE VERA

Vol.15,n.1,pp.129-133 (Jun – Ago 2016) Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR

BJSCR (ISSN online: 2317-4404) Openly accessible at http://www.mastereditora.com.br/bjscr

OS 6.000 ANOS DE HISTÓRIA MEDICINAL DO ALOE VERA

THE 6,000 YEARS OF MEDICAL ALOE VERA HISTORY RUBISON OLIVO1,LAIRGERALDO THEODORORIBEIRO2*
  1. Farmacêutico-Bioquímico (UFSC), Doutor em Ciência de Alimentos (USP) e Pós-Doutorado, como Professor-Convidado pela Guelph State University(Canadá); 2.Médico, Cardiologista e Nutrólogo, coordenador de curso de pós-graduação lato sensu da Unin-gá, Mestre em Cardiologia pela PUC-RJ e Fellow of the American College of Cardiology(FACC).
RuaJosé Maria Lisboa, 445, Jardins, São Paulo, São Paulo, Brasil. CEP: 01423-000. sintoniagrupo@uol.com.br
Recebido em 06/03/2016. Aceito para publicação em 09/05/2016

RESUMO

Planta medicinal, com propriedades benéficas reconhecidas há milênios, o Aloe vera –utilizado, inclusive, pelos egípcios como elixir da longevidade –apresenta inúmeras funções que contribuem para a manutenção da saúde. Além de sua ação bactericida e anti-inflamatória, oferecida pela presença de bioflavonoides, conta com diversas vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais disponíveis tanto em suas folhas quanto em seu característico parênquima gelatinoso. Porém, é o polissacarídeo acemannan–um potente imuno estimulador –um dos componentes mais pesquisados do aloe vera, devido à sua ação antiparasitária, antiviral, antibacteriana e antifúngica. Todas essas substâncias contribuem para seus múltiplos efeitos, com destaque para os antitumorais, antiglicêmico, imunológicos, entre outros. Mesmo diante de tantos benefícios, o aloe vera também possui ativos fenólicos que comprometem sua segurança toxicológica, quando não manipulado devidamente. Os avanços científicos e tecnológicos, no entanto, hoje possibilitam a elaboração de produtos totalmente seguros, capazes de auxiliar milhares de pessoas.  

PALAVRAS-CHAVE: Aloe vera, antioxidante natural, ace-mannan

ABSTRACT

Medicinal plant with beneficial properties recognized for millen-niums, aloe vera -used, even by the Egyptians as an elixir of lon-gevity -has many functions that contribute to the maintenance of health. In addition to its antibacterial and anti-inflammatory action, offered by the presence of bioflavonoids, it has various vitamins, minerals and essential amino acids available both in the leaves anin its characteristic gelatinous parenchyma. However, it is the acemannan polysaccharide -a potent immunostimulatory -one of the most researched of aloe vera components due to its antiparasitic action, antiviral, antibacterial and antifungal. All of these substances contribute to its many effects, especially antitumor, an-tiglicêmico, immunological, among others. Even when faced with so many benefits, aloe vera also has phenolic assets that compro-mise their toxicological safety when not properly handled.The scientific and technological advances, however, now allow the development of fully safe products are able to help thousands of people.

KEYWORDS:Aloe vera, natural antioxidant, acemannan.
  1. INTRODUÇÃO

Popularmente conhecido como babosa, o aloe vera é uma planta que concentra inúmeras propriedades medicinais. Sua família corresponde a mais de 400 espécies, somando mais de 200 diferentes substâncias biológicamente ativas disponíveis tanto nas folhas quanto em seu característico gel.

No entanto, é a variedade aloe vera barbadensis–pertencente à mesma família da cebola, do alho e aspargo –que gera um particular (e milenar) interesse medicinal. Na época dos faraós, por exemplo, o aloe vera era denominado pelos egípcios como a “planta imortal”.

Datados de 4200 a.C., escritos cuneiformes encontrados na Babilônia já descreviam os efeitos medicinais da planta. Os faraós, por sua vez, acrescentavam seu gel às bebidas com a crença de que a mistura prolongaria suas vidas.

Hipócrates, considerado o pai da Medicina, descrevia os benefícios gerados pela planta nos casos de úlceras e desordens gastrointestinais. Em seus estudos, Galeno também destacava as propriedades medicinais do aloe vera. Essas e outras citações constam no excelente livro do Dr. Hademar Bankhofer, publicado em 2013.

Antes de relatar as vantagens oferecidas pelo Aloe vera é interessante ressaltar a importância das informações contidas neste artigo, uma vez que todos os produtos derivados da planta são isentos de patenteabilidade. Como não geram lucro à indústria farmacêutica, seus benefícios são pouco divulgados.

Porém, basta digitar o termo “aloe vera” no Google para encontrar aproximadamente 20 milhões de citações. Ao realizar a mesma busca no Google Acadêmico, que só inclui trabalhos publicados em revistas indexadas, é possível identificar 52.500 citações científicas. Isso mostra claramente o interesse tanto popular quanto científico pelas propriedades medicinais da planta.

  1. MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo é uma revisão literária. Todo material pesquisado envolve não apenas as melhores fontes de consulta –artigos científicos e livros publicados sobre o tema –contendo referências com mais de 10 anos de publicação até as mais atuais. Trata-se, portanto, de uma abordagem evolutiva, que oferece um entendimento abrangente sobre o assunto em questão. Para atingir esse resultado, foram utilizados os termos ALOE VERA e MEDICINA ou MEDICINE, contabilizando um total de 48 artigos para a produção de todo conteúdo.

Olivo & Ribeiro / Braz. J. Surg. Clin. Res. V.15,n.1,pp.129-133 (Jun – Ago 2016)

BJSCR (ISSN online: 2317-4404) Openly accessible at http://www.mastereditora.com.br/bjscr

  1. DESENVOLVIMENTO

Entre seus inúmeros componentes, o aloe vera contém bioflavonoides (ligninas, saponáceas, taninos, an-traquinonas), com ação bactericida e anti-inflamatória. Além disso, possui uma substância denominada acemannan–um potente modulador do sistema imune, tendo ação antiparasitária, antiviral, antibacteriana e antifúngica –tema que será abordado adiante.

Vitaminas, como A, B1, B2, B3, B6, B9, B12, C, E, minerais –Cr, Fe, K, Cu, Mg, Mn, Zn –e aminoácidos essenciais, a exemplo de leucina, valina, isoleucina, lisi-na, fenilalanina, treonina, metionina e triptofano, são encontrados no áloe vera, que também é composto por aminoácidos não essenciais e várias enzimas, segundo dados de uma revisão sistemática publicada por Radha e Laxmipriya2, em 2015.

O artigo ainda revela que a administração apropriada do aloe vera barbadensis apresenta, entre seus principais efeitos medicinais desejáveis, propriedades cicatrizantes, limpeza e regularização intestinal, antioxidante, anti inflamatória, antiartrítica, anti reumatoide, antidiabética,normalização do colesterol, anti constipação e terapia de outras desordens gastrointestinais, promoção de crescimento ósseo e dental, estimulação do sistema imune e ações antibióticas, fungicidas, antivirais e inibição do receptor estrogênico alfa (fazendo seu uso útil no tratamento e prevenção de cânceres estrogênio dependentes).

Essas propriedades, por sinal, são resultado de inúmeros estudos e análises promovidos e documentados desde o Egito Antigo (aproximadamente em 4.000 a.C.), pela cultura Rigveda da Índia (1.750-500 a.C.), pela dinastia Tang da China (618–907) e, curiosamente, também citadas no Velho e Novo Testamento da Bíblia. Trata-se, portanto, de uma das mais antigas plantas medicinais. Está presente na Farmacopeia de Londres (London Pharmacopoeia) desde 1.650, e em pelo menos 21 preparações oficiais 3.

Para entender o que torna o aloe vera tão especial é preciso conhecer seus principais componentes. Para isso, é necessário, primeiramente, dividir sua folha em duas partes, sendo a externa constituída pela casca e sua camada logo abaixo, denominada látex, e a interna conhecida como parênquima e caracterizada por um gel translúcido.

O parênquima gelatinoso encontrado no interior da folha, considerado comestível, é formado, principalmente, por água (98,5%). Sua base sólida conta com polissacarídeos funcionais de alto peso molecular (55%), outros carboidratos (17%), minerais (16%), glicoproteínas e proteínas (7%), lipídeos (4%) e compostos fenólicos (1%).

Também contém várias vitaminas, incluindo as de ação antioxidante (A, C e E), B1 (tiamina), B2 (ribofla-vina), B3 (niacina), colina, ácido fólico 4 e aminoácidos, especialmente arginina, asparagina, serina, ácido aspártico e ácido glutâmico. Porém, é o acemannan, um polissacarídeo acetilado reconhecido como principal constituinte bioativo do aloe vera 5, o componente de maior aspecto funcional e medicinal.

Molécula complexa, de cadeia longa e com grande peso molecular, o acemannantem diversas ramificações acetiladas de carboidratos funcionais, principalmente com manose 5,6,7. Segundo Thart et al.8, o polissacarídeo é composto por manose (83,7%-92,1%), glucomannan (3,2%-3,9%), galactose (3,8%-3,9%) e arabinose (0,9%-3,6%).

Outros autores apresentam diferentes respostas para essa questão, apoiados em condições biológicas, sazonalidade, forma de plantio, técnicas de manejo, período da colheita e processos tecnológicos de obtenção dos pro-dutos finais 3. Outros polissacarídeos funcionais são reportados em menor quantidade, como mannans, glucomannans, galactoglucomannans9, pectinas e galactans10.

Na parte mais externa, sob a casca, há uma alta concentração de compostos fenólicos (ou derivados hidroxiantracênicos), que variam entre 15% a 40% de sua composição, sendo essa uma distinta característica do áloe vera natural não processado (in natura).

Conhecidas como antronas e seus glicosídeos (aloína a e b ou também denominados de barbaloin), antraquinonas (aloe-emodim) e aloesin cromonas, essas substâncias são responsáveis pela defesa natural da planta, expelindo, logo após o corte da folha, um líquido de cor amarelo ou amarelo esverdeado.

São elas que conferem o sabor amargo e o efeito laxativo do aloe vera 3. Sua ingestão excessiva e por longo tempo pode causar espasmos e dores abdominais, hepatites, distúrbios eletrolíticos, acidose metabólica, albuminúria e hematúria 12.

Esses efeitos indesejáveis são atribuídos exclusivamente aos compostos fenólicos e, principalmente, às aloínas A e B, apresentassem maior quantidade. São elas, portanto, as substâncias consideradas mais importantes, recebendo total atenção sob os aspectos dos controles analíticos e de segurança toxicológica 3,11,12,13.

Estudos toxicológicos recentes destacam a preocupação existente em torno das aloínas, potencialmente cancerígenas. Devido a esse fato, criou-se o falso mito de que o aloe vera é completamente tóxico. No entanto, deixa-se de retratar que tais análises foram realizadas com extratos obtidos da planta inteira (casca e gel), incluindo altas concentrações dos compostos fenólicos indesejáveis presentes na parte externa 3.

Está claro, portanto, cientificamente que o eventual potencial toxicológico do aloe vera depende da parte da planta utilizada e/ou do método de extração e elaboração do produto final 3,15. Processos tecnológicos industriais modernos permitem a elaboração de produtos seguros, sem a presença em quantidade comprometedora das aloínas 13. Esclarecido este assunto, é possível apresentar algumas funcionalidades dos componentes do áloe vera, validadas em referências científicas.

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Efeito na cura de feridas e queimaduras

Muitos estudos mostram que o tratamento com o extrato do aloe vera oferece rápida cicatrização de feridas, com significativa diminuição da área afetada e aumento da síntese de colágeno 16,17,18. Essa propriedade é atribuída à manose-6-fosfato presente em seu gel 18.

Os polissacarídeos funcionais do aloe vera promovem a proliferação de fibroblastos e a produção de ácido hialurônico e hidroxiprolina, que têm um importante papel no remodelamento da matriz extracelular durante a cicatrização das feridas 19.

Estudos clínicos realizados em humanos comprovaram a eficácia do áloe vera no tratamento de queimaduras superficiais e profundas (2º grau). Em comparação ao creme de sulfadiazina de prata (1%), o aloe vera demonstrou uma cicatrização mais rápida nos pacientes tratados 20.

Estudos em ratos, por sua vez, mostraram que os polissacarídeos isolados da planta induzem a formação da matriz melatopeptidase (MMP-3) e a expressão genética da proteína TIMP2 (inibidor 2 da melatopeptidase) durante a reparação das feridas da pele 21. Seu efeito também foi eficaz na cicatrização da úlcera gástrica induzida em ratos 22.

Efeito antioxidante e anti-inflamatório

O áloe vera apresenta alto potencial antioxidante 23,24, superior aos antioxidantes clássicos, como BHT e α-tocoferol25. Atua, inclusive, na inibição da hiperinflação que ocorre na septicemia, reduzindo os processos inflamatórios, injúria de órgãos e a morte do indivíduo.

Em uma pesquisa realizada como esse propósito, ratos com Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (septicemia induzida) receberam uma dose intravenosa, na cavidade peritoneal, de 50mg/kg de aloe vera liofilizado, dissolvido em solução salina (fosfato-tamponada pH 7,4). O resultado revelou um nível significativo de proteção com inibição da inflamação e com taxa de sobrevivência de 95%, sugerindo que o aloe vera pode ser usado como um potente e eficaz agente anticéptico e no tratamento clínico de pacientes com septicemia 26.

A planta também induz o aumento da superoxide dismutase 27–enzima necessária para a defesa efetiva contra radicais livres. Portanto, inibe os processos oxida-tivos 28(estresse oxidativo), amenizando os efeitos da “corrosão biológica” provocada pelos radicais livres, contribuindo para o antienvelhecimento.

Extratos de aloe vera têm atividade hematopoiética e perfil anti-inflamatório 28,29, com ação benéfica na inibição dos processos inflamatórios das doenças intestinais 30. Em estudos realizados em ratos e animais modelos verificou-se a cicatrização da úlcera gástrica 31e a redução do tamanho dos pólipos intestinais 32, respectivamente.

De acordo com a recente revisão realizada por Radha e Laxmipriva2, o aloe vera pode ser considerado um excelente anti-inflamatório, já que inibe diretamente a via metabólica da ciclo oxigenase e reduz a produção da prostaglandina E2, que apresentam um papel importante nos processos inflamatórios.

Ação imunológica e efeito antitumor

Evidências indicam que o polissacarídeo acemannan age como imunoestimulador33ou imunomodulador34, principalmente na ativação de monócitos e macrófagos e no aumento da liberação de citosinas, incluindo interleucina, interferon e o fator de necrose tumoral, observados em ensaios in vitroe in vivo29.

O acemannanmostrou-se um excelente imunomo-dulador com completa cura ou redução da carga tumoral de sarcomas em ratos 35,36e proteção contra o câncer de pulmão, com evidências científicas que sugerem a segurança do aloe vera, com raras reações alérgicas, sem documentar reações adversas com medicamentos 36.

Yu et al.27, por sua vez, constataram que o tratamento de úlcera oral recorrente em ratos e os indivíduos tratados com aloe vera resultou no aumento das imuno globulinas IgG, IgA e IgM. Além de documentarem a ação anti-inflamatória da planta, Radha e Laxmipriva2 também registraram, em sua recente revisão, os efeitos imuno modulatórios do aloe vera de forma incontestável.

Efeito hipoglicêmico (antidiabético)

Nos últimos 30 anos, trabalhos têm mostrado que produtos feitos à base de aloe vera apresentam efeitos terapêuticos benéficos em indivíduos diabéticos, principalmente para os casos de diabetes tipo II.

Esse efeito hipoglicêmico foi primeiramente descrito por Agarwal37, que avaliou a administração de aloe vera em 3.167 pacientes diabéticos, duas vezes ao dia, durante cinco anos. Sua conclusão foi que a glicemia e o colesterol total diminuíram acentuadamente.

Desde então, o efeito antiglicêmico do aloe vera tem sido comprovado em muitas pesquisas realizadas com pacientes diabéticos 38,39,40,41,42 e animais de laboratório. Em ensaios aleatórios controlados, por exemplo, o aloe vera reduziu o peso corporal, a massa gorda corpórea e a resistência à insulina em pacientes obesos pré-diabéticos e em diabéticos não tratados 41.

Dados de testes clínicos suportam sua efetividade na diminuição do LDL, aumento do HDL, na redução da glicemia em pessoas diabéticas e no tratamento do herpes genital e da psoríase 36. Essas pesquisas confirmam que o aloe vera pode ser uma alternativa eficaz no tratamento da doença, ajudando a evitar complicações associadas, como a retinopatia, nefropatia, neuropatia e aterosclerose 33.

-Olivo & Ribeiro / Braz. J. Surg. Clin. Res. V.15,n.1,pp.129-133 (Jun – Ago 2016)BJSCR (ISSN online: 2317-4404) Openly accessible at http://www.mastereditora.com.br/bjscrrio43,44,45,46.

Aplicações na odontologia

Em diversos países o aloe vera já é utilizado em produtos de higiene bucal e outras aplicações odontológicas. Vários trabalhos científicos documentam que extratos do seu gel estimulam a proliferação de muitos tipos de células 2.

O acemannan, por sua vez,tem papel significativo no processo de cicatrização gengival em tratamentos por via oral, com a indução da proliferação de fibroblastos, estimulação de fatores de crescimento da queratina (KGF-1), fator de crescimento vascular endotelial (VEGF) e na síntese do colágeno tipo I47.

Também contribui para aumento da atividade da fosfatase alcalina em células dos ligamentos periodontais19e na formação e mineralização das células do estroma ósseo, sugerindo seu eventual uso como um biomaterial natural para a regeneração óssea48.

Precaução

Independentemente da situação, é recomendado que produtos que contenham aloe vera não sejam ingeridos por gestantes, lactantes e indivíduos que sofrem de dores abdominais, apendicite e obstrução intestinal36.

  1. CONCLUSÃO

O uso do aloe vera é milenar e seus benefícios funcionais são numerosos. Apesar disso, existem precauções sobre sua segurança toxicológica devido à presença de compostos fenólicos na casca da planta. Contudo, atualmente a ciência e a tecnologia permitem elaborar produtos seguros, capazes de gerar benefícios com trata-mentos alternativos e mais econômicos à comunidade em geral.

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UMA EPIDEMIA INVISÍVEL AO SISTEMA DE SAÚDE

Vol.13,n.1,pp.C10-C13 (Dez 2015 – Fev 2016) Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR

BJSCR (ISSN online: 2317-4404) Openly accessible at http://www.mastereditora.com.br/bjscr

DEFICIÊNCIA DA VITAMINA B12

VITAMIN B12 DEFICIENCY AN INVISIBLE EPIDEMIC TO THE HEALTH SYSTEM LAIR GERALDO THEODORO RIBEIRO

  1. Médico, Cardiologista e Nutrólogo, Coordenador de Curso de Pós-Graduação (lato sensu) da Faculdade Ingá. Mestre em Cardiologia

pela PUC-RJ. Fellow em Cardiologia pela American College of Cardiology.

* R. José Maria Lisboa, 445, Jardins, São Paulo, São Paulo, Brasil. CEP: 04230-000. sintoniagrupo@uol.com.br

Recebido em 20/10/2015. Aceito para publicação em 31/10/2015

COMUNICAÇÃO/ LETTER

É praticamente automático. Para muitas pessoas basta mencionar a palavra vitamina B12 que logo vêm à mente “aumento de apetite” e, com isso, quilos a mais na balança. Na realidade, isso não passa de um grande mito; o mesmo que se refere à vitamina B12 como coadjuvante na perda de peso.

Não há na literatura médica nada que comprove ou descarte uma coisa ou outra. Sabe-se, porém, que no caso de deficiência, a suplementação de B12 pode funcionar como um modulador de peso. Isso significa que quando o indivíduo é bem magro pode adquirir alguns quilos extras. Obesos mórbidos, por sua vez, se beneficiam com o uso da energia armazenada, o que gera mais disposição para à realização de atividades físicas e, consequentemente, leva à perda de peso1,2.

O mais importante é ter certeza de que a função da vitamina B12 está muito além da polêmica engorda/ emagrece. Também conhecida como cobalamina, ela pertence ao grupo B (B1, B2, B3, B5, B6, B7, B9 e B12) ,sendo necessária para que tanto o cérebro quanto todo o sistema nervoso funcione adequadamente.

Interessante, não é mesmo? No entanto, esse é apenas o começo. A cobalamina também participa da formação do sangue (mais especificamente dos glóbulos vermelhos – eritropoiese). Sua deficiência causa um tipo de anemia megaloblástica – em que o volume corpuscular médio da hemácia ultrapassa 100 femtolitros (10-15 litro).

Quando a origem dessa deficiência é autoimune, desenvolve- se um anticorpo contra as células do estômago que provoca um distúrbio de absorção, causando não apenas a deficiência de B12, mas também uma anemia megaloblástica – denominada anemia perniciosa1,2. Esses são apenas alguns exemplos que comprovam a importância da presença desse nutriente no organismo. Entre as inúmeras funções da B12 no organismo,considero importante destacar:

  1. Síntese do DNA – mesmo sendo uma função do ácido fólico (vitamina B9), vale lembrar que o ácido fólico sem vitamina B12 é disfuncional;
  2. Síntese dos eritrócitos (hemácias) ou eritropoiese – a deficiência de vitamina B12 leva à anemia megaloblástica (hemácias grandes e imaturas);
  3. Contribui como cofator na transformação do ácido fólico em sua forma ativa, o metilfolato, que quando deficiente gera como sintomas: anemia,fadiga, irritabilidade, neuropatia periférica, hiper-reflexividade, pernas inquietas, diarreia, perda de peso, insônia, depressão, demência, distúrbio cognitivo e transtorno psiquiátrico;
  4. Tem um papel importante na modulação do sistema imune e sua deficiência predispõe a manifestações autoimunes;
  5. É fundamental na funcionalidade do sistema endócrino;
  6. É o cofator da enzima metionina sintase, na forma de metilcobalamina, permitindo a remetilação da homocisteína em metionina, o que, de forma simples, significa redução de problemas cardiovasculares;
  7. Também é cofator na transformação da metilmalonil-CoA em succinil-CoA.
    O succinil-

CoA entra no ciclo de Krebs para gerar mais energia. Esse é um dos fatos que explica o porquê da B12 melhorar a sintomatologia do paciente com fadiga.

Sua presença em inúmeras funções fisiológicas é de fato intensa, comprovando que sua deficiência é capaz de gerar inúmeras doenças.

O início dessa descoberta foi em 1824, quando, pela primeira vez, a anemia proveniente da degeneração estomacal foi identificada, sendo denominada anemia perniciosa. Esse termo remetia ao seu prognóstico sombrio, levando ao óbito, na maioria das vezes. Cerca de 100 anos depois, especificamente em 1926,dois médicos americanos, Dr. Minot e Dr. Murphy, se basearem na ideia do Dr. George Whipple – que curava cães anêmicos com a administração de fígado de boi cru – e a adaptaram aos humanos.

A conclusão foi a de que o método funcionava muito bem, “curando” a anemia perniciosa dos pacientes submetidos ao tratamento. Em 1934, Whipple, Minot e Murphy ganharam o Prêmio Nobel devido a essa descoberta, sem ao menos imaginar que o agente terapêutico do fígado cru era a vitamina B12. O nutriente só foi sintetizado em 1948, garantindo o Prêmio Nobel de Química a Dra. Dorothy Hodgkin, responsável por esse feito. Hoje, muitos médicos ainda desconhecem a prevalência e os efeitos deletérios da deficiência da vitamina B12, prejudicando substancialmente a saúde e, consequentemente, a qualidade de vida de muitos pacientes. Porém, um fato não se discute: o corpo precisa de ácido fólico para produzir ácidos nucleicos – os alicerces do DNA.Sem vitamina B12, o ácido fólico se torna disfuncional. A produção prejudicada na formação e renovação do DNA pode impactar qualquer parte do organismo, facilitando a formação de polimorfismos genéticos e predisposição ao câncer. A deficiência da vitamina B12 é estimada em aproximadamente 25% da população dos Estados Unidos, dependendo do critério usado para diagnosticar a sua presença3. Um estudo promovido pela Tufs University, em Boston – avaliando participantes e descendentes do estudo Framingham – identificou em quase 40% dos avaliados, com idade entre 26 e 83 anos, baixos níveis de B124.
Em outra pesquisa, 40 % dos pacientes idosos, com mais de 60 anos, hospitalizados, tinham níveis de B12 baixos ou borderline5. Oitenta por cento dos veganos que não suplementam com B12 e mais de 50% dos vegetarianos – que mantêm esse regime há muito tempo – apresentam evidências sugestivas de sua deficiência6,7. O Dr. Robert Clarke, por sua vez, verificou que 46% (76/ 164) dos pacientes com Doença de Alzheimer, avaliados por ele, tinham dados sugestivos de deficiência de B12, com altos níveis de homocisteína e baixos níveis de B12 no sangue8. É muito bem documentado que pacientes com deficiência de B12, não-tratados, têm alto risco de desenvolver osteoporose9,10. A homocisteína elevada, por sua vez, aumenta o risco de doença coronariana, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Nesse caso, a cobalamina contribui para que o ácido fólico converta a homocisteína de volta à sua forma metilada (metionina), reduzindo drasticamente a possibilidade do desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A distinção entre a deficiência de ácido fólico e B12 é feita pela dosagem do ácido metilmalônico no sangue e na urina – que é elevado na falta de B12 e normal na falta de ácido fólico.

Existem cinco vitâmeros da cobalamina capazes de atuar de forma benéfica no organismo, conhecidos como hidroxocobalamina, adenosilcobalamina, metilcobalamina, cianocobalamina e aquocobalamina1,2. Comercialmente, estão disponíveis a hidroxo, metil e cianocobalamina,praticamente com igual eficácia. Mas, por estarem presentes na maioria dos estudos sobre o tema, as mais recomendadas acabam sendo a hidroxocobalamina e a metilcobalamina. Como diagnóstico diferencial, vale a pena enfatizar novamente que a deficiência da vitamina B12 causa anemia megaloblástica (volume corpuscular médio da hemácia maior que 100 femtolitros), mas somente quando há uma má-absorção, devido à falta do fator intrínseco, por um mecanismo autoimune, sendo denominada anemia perniciosa, uma forma autoimune de deficiência de B12.

Sendo assim tão necessária ao organismo, é fácil concluir que muitos pacientes com falta de vitamina B12 sofrem lesões neurológicas muito antes de o hemograma revelar sinais de anemia megaloblástica. Quando o diagnóstico é feito apoiado apenas nesse dado, as lesões já podem estar instaladas no sistema nervoso e possivelmente são de caráter irreversível. Para dificultar ainda mais o diagnóstico de megalocitose (aumento do tamanho dos glóbulos vermelhos) no sangue, níveis elevados de ácido fólico podem normalizar o volume corpuscular médio das hemácias, mesmo na deficiência de B12. Com isso, mais de 30% dos pacientes afetados podem nunca apresentar sinais de anemia megaloblástica, embora as outras lesões mantenham sua progressão inexorável. O mecanismo de absorção da vitamina B12 é de fato complexo, sujeito a falhas em diferentes pontos de todo o processo. Resumidamente, a cobalamina é ingerida quando ligada a uma proteína de origem animal. Já na saliva, a proteína do grupo das cobalofinas (R-binders) – uma haptocorrina – é liberada, assumindo o lugar da proteína animal no estômago.

É no fundo do estômago que as células parietais produzem o suco estomacal (ácido clorídrico), capaz de transformar pepsinógeno em pepsina – que separa a B12 da proteína animal. O fator intrínseco da vitamina B12 (FI), facilitado por uma enzima pancreática (protease), se liga com a cobalamina (fator extrínseco) para formar o complexo B12-FI na primeira parte do intestino delgado (duodeno).

Esse complexo (B12-fator intrínseco) se dirige até a parte terminal do intestino delgado (íleo), onde outrproteína (cubulina) forma um receptor para receber o complexo B12-FI. Após se encaixar a esse receptor, a vitamina B12 é finalmente absorvida, passando para o sangue e se ligando às proteínas transportadoras (transcobalamina I e, principalmente, à transcobalamina II). Como é possível perceber, trata-se de um processo detalhado, passível de falhas a qualquer momento. Por isso, a maioria dos problemas causados pela falta B12 não está relacionada à dieta, mas a uma questão de má-absorção. Um exemplo clássico é a Doença de Crohn, em que o sistema imune ataca o trato gastrointestinal, afetando-o drasticamente.

Quando o problema no intestino delgado atinge a região próxima ao íleo – parte terminal do intestino delgado e local de absorção da vitamina B12 – a má-absorção pode ocorrer. Calcula-se, com isso, o prejuízo causado com a remoção cirúrgica do íleo em pacientes com câncer do intestino ou Doença de Crohn. A maioria dos pacientes com falta de vitamina B12 a ingere diariamente, porém é incapaz de fazê-la chegar ao sangue para a distribuição e a utilização necessárias. O grupo de indivíduos que não ingerem o suficiente – como é o caso já mencionado dos vegetarianos e, principalmente, dos veganos – deve recorrer à suplementação. A vitamina B12 também tem uma ação destoxificante.

Um organismo altamente intoxicado – pelo excesso de fumo e álcool, por exemplo – pode sofrer com a falta do nutriente, que apresenta sinais e sintomas distintos, mimetizando inúmeras doenças e dificultando o diagnóstico clínico. Entre os eles, os mais comuns são os quadros clínicos depressivos, tremores, psicopatia, fadiga crônica, dores generalizadas inespecíficas, paralisias transitórias, incontinência urinária, anemia, refluxo esofágico, constipação, diarreia, impotência, infertilidade, comportamento de autismo, distúrbios de memória, entre outros. Essa deficiência pode ser identificada em quatro estágios, sendo:

Estágio 1 – redução dos níveis de vitamina B12 no organismo;

Estágio 2 – disfunção celular;

Estágio 3 – aumento da homocisteína e do ácido metilmalônico;

Estágio 4 – lesões do sistema nervoso central (SNC), sistema nervoso periférico (SNP) e anemia megaloblástica.

Ao atingir os estágios 3 e 4, a deficiência deve ser sanada por meio de uma suplementação adequada e imediata. Caso contrário, o indivíduo está sujeito a lesões irreversíveis no sistema nervoso, que envolvem os seguintes sintomas: disfunção mental (psicose, manias, alucinações), perda de memória, paralisias, cegueira, visão em túnel (perda da visão periférica), alteração permanente das sensações nos membros (parestesias) e incontinência, tanto urinária quanto intestinal.

Muitos pacientes com falta de B12 no organismo apresentam um quadro clínico muito semelhante ao da esclerose múltipla. Se receberem somente o tratamento para a esclerose múltipla, correm o risco de nunca registrar melhora sem a suplementação com cobalamina (hidroxo ou metilcobalamina).

Essa associação frequentemente não diagnosticada com a esclerose múltipla é muito comum, já que não há um teste que realmente comprove ou exclua o diagnóstico dessa doença neurodegenerativa (esclerose múltipla)11. Nem mesmo a imagem gerada por ressonância magnética (MRI) é 100% conclusiva, sendo incapaz de diferenciar a esclerose múltipla da deficiência da B12 ou de qualquer outra etiologia12.

Geralmente, a esclerose múltipla tem um padrão frequente de remissões e recidivas. Quando compromete o sistema nervoso central, a falta de B12 registra um padrão clínico sempre progressivo e debilitante.

Por ano, o remédio mais indicado no tratamento da esclerose múltipla custa, em média, em torno 36 mil dólares. A terapia com cobalamina, por sua vez, corresponde ao custo médio de 40 dólares/ ano. Pacientes com falta de B12 não são beneficiados com o medicamento para esclerose múltipla. Ao contrário. Suas lesões, certamente, se acumularão. Apenas esse fato indica que, no caso de qualquer indício de esclerose múltipla, seria necessário realizar uma bateria de testes para descartar uma possível falta de B12 – incluindo, níveis de homocisteína no sangue, concentração do ácido metilmalônico na urina, dosagem da B12 no soro.

A vitamina B12, aliás, é fundamental para a formação da bainha de mielina. Pesquisas têm indicado que o organismo requer níveis normais ou mesmo mais elevados do que os normais para reverter a lesão mielínica causada pela esclerose múltipla13. Ao seguir esse caminho, encontramos cada vez mais um acúmulo de evidências correlacionando a deficiência de B12 com a Doença de Alzheimer e outros inúmeros distúrbios mentais. O Dr. Hermesh e seus colaboradores, por exemplo, realizaram um estudo com pacientes que sofriam de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), confirmando a deficiência de B12 em pelo menos 20% dos casos avaliados14.

Especificamente nas crianças, a deficiência de B12 provoca sinais e sintomas que se assemelham aos encontrados nos casos de autismo. O resultado com a administração de cobalamina tem sido surpreendente15. Em suas experiências com B12 injetável, o Dr. Arnold Brenner registrou mudanças substanciais no comportamento de autistas tratados16.

Indivíduos deficientes de B12 também são mais vulneráveis às reações adversas no processo de imunização. Idosos que pretendem ser vacinados contra a pneumonia não obterão grandes resultados se estiverem com o nutriente em falta no organismo. Intervenções cirúrgicas também são contraindicadas nesse caso, especialmente se o anestésico for o N2O (óxido nitroso)17,18. Tudo leva a acreditar que, independentemente da doença – desde um câncer até uma doença autoimune – a possível falta de vitamina B12 deve ser observada. Os serviços de saúde, geralmente, subestimam o papel deletério dessa deficiência nos portadores de doenças mentais. A lesão cerebral e o autismo, sobretudo na infância podem ser desencadeados por essa deficiência, que constitui uma epidemia totalmente ignorada pelos profissionais de saúde19. A boa notícia é que quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, a resposta é somente uma: a cura.

O processo de deficiência começa a ser detectado no fluido cérebro-espinhal, quando os níveis sanguíneos de B12 estão abaixo de 550 pg/mL20,21. Isso é o suficiente para que os níveis reconhecidos como normais no soro (210-980 pg/mL) sejam alterados. Especialistas no assunto acreditam que os níveis séricos mínimos de B12 deveriam ser elevados para 600 pg/mL1.

Apenas concluindo esse tema de vasta discussão – a deficiência de vitamina B12 é uma epidemia invisível, que não causa apenas anemia perniciosa, mas danifica inúmeras partes do corpo e contribui para a fisiopatologia de muitas doenças. Por outro lado, é fácil de ser diagnosticada e tratada. O diagnóstico precoce, por sinal, gera resultados excelentes. Se um paciente apresenta qualquer um dos sinais e sintomas aqui descritos, o profissional de saúde deve sempre considerar a presença de deficiência de B12.

Nesses casos, é necessário solicitar a dosagem da B12 no sangue e/ ou do ácido metilmalônico na urina.

Lembre-se: “O óbvio só é óbvio para o olho preparado!

REFERÊNCIAS

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Dr. Lair Ribeiro — Palestrante internacional, ex-diretor da Merck Sharp & Dohme e da Ciba-Geigy Corporation, nos Estados Unidos, e autor de vários livros que se tornaram best-sellers no Brasil e em países da América Latina e da Europa. Médico cardiologista, viveu 17 anos nos Estados Unidos, onde realizou treinamentos e pesquisas na Harvard Unversity, Baylor College of Medicine e Thomas Jefferson University.

Webpage: www.lairribeiro.com.br

e-mail: gruposintonia@lairribeiro.com.br

Tel. 0-55-11-3889.0038

SAL: INGERIR OU NÃO INGERIR? VILÃO OU HERÓI?

Vol.13,n.1,pp.06-11 (Dez 2015 – Fev 2016) Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR

BJSCR (ISSN online: 2317-4404) Openly accessible at http://www.mastereditora.com.br/bjscr

SAL: INGERIR OU NÃO INGERIR? VILÃO OU HERÓI?

SALT: INGEST OR NOT INGEST? VILLAIN OR HERO?

LAIR GERALDO THEODORO RIBEIRO

  1. Médico, Cardiologista e Nutrólogo, Coordenador de Curso de Pós-Graduação (lato sensu) da Faculdade Ingá. Mestre em Cardiologia

pela PUC-RJ. Fellow em Cardiologia pela American College of Cardiology.

* R. José Maria Lisboa, 445, Jardins, São Paulo, São Paulo, Brasil. CEP: 04230-000. sintoniagrupo@uol.com.br

Recebido em 21/10/2015. Aceito para publicação em 30/10/2015

COMUNICAÇÃO/ LETTER

Com o uso dos termos “sal”, “sódio”, “pressão alta”e “hipertensão” é possível encontrar 17.090 artigos publicados,entre 1966 e 2001, em sites especializados na internet (MEDLINE)1. Isso mostra a complexidade em resumir e oferecer uma versão diferenciada sobre o assunto e seu papel na saúde humana.

Este artigo não representa uma recomendação médica. Favor conversar com seu médico e/ou nutricionista antes de tomar qualquer decisão de como irá usar o sal em sua alimentação. Aqui temos um paradigma que, a princípio, pode ser chocante. Minha contribuição é a de mostrar o que está disponível na literatura, defendendo outro ponto de vista.A recomendação para uma dieta baixa em sal (hipossódica) vem sendo uma constante como abordagem coadjuvante no tratamento da hipertensão. Por outro lado, os japoneses – os maiores consumidores de sal do mundo – também são considerados um dos povos mais saudáveis, apesar de estar em desacordo com as recomendações sobre o uso parcimonioso do sal na dieta 2. Historicamente, esse componente revela sua importância, sendo citado, com destaque, nas escrituras do cristianismo, judaísmo e islamismo. Jesus, por exemplo, referia-se aos seus seguidores como o “sal da terra”, homenageando sua presença na dieta humana. Além disso, existem 32 citações sobre o sal na Bíblia. No Judaísmo, por sua vez, o pão de Shabat  (Chalá) é mergulhado no sal como símbolo da preservação do acordo com Deus, enquanto Maomé, no Alcorão, descreve as quatro dádivas enviadas por Deus: o ferro, o fogo, a água e o sal.

Para os hebreus, chineses, gregos e romanos, o sal era valorizado tanto ou até mais do que o ouro. Curiosamente, a palavra salário foi originada do pagamento para os soldados romanos com sal (Solarium Argentums), que há 5.000 anos era uma das mercadorias mais negociadas na China. Antes da existência de refrigeradores, aliás, o sal era o meio mais utilizado de conservação de alimentos.

Todos os aspectos que caracterizam o sal não foram menosprezados pela medicina. Hipócrates (460 – 370a.C.) reconhecia o poder curativo da substância. Para Celso (1493 – 1541 d.C.), certa vez, declarou: “O ser humano necessita de sal. Ele não pode viver sem sal. Onde não houver sal, nada permanecerá, tudo irá se deteriorar”. Atualmente, é fácil entender o significado da frase de Para Celso. Basta lembrar que uma simples solução fisiológica de sal (soro fisiológico) é capaz de salvar vidas, sendo um tratamento muito útil, especialmente nas situações de emergência.Assim como oxigênio e água, portanto, não existe vida sem sal. Esses três elementos são a parte mínima necessária para que a energia vital se manifeste. Elefantes, búfalos e hienas são sabiamente famosos por se deslocarem, sem importar a distância, à procura do sal para ingestão. No Quênia, não é difícil encontrar elefantes arriscando suas próprias vidas em busca de depósitos de sal no interior de minas 3.Entre os humanos, sua importância jamais foi desprezada. A Inglaterra financiava sua colonização na Índia cobrando um imposto sobre o sal consumido. Isso fez com que, na década de 1930, Mahatma Gandhi organizasse protestos contra a cobrança de taxas muito altas, o que resultou na libertação do colonialismo no país.

Durante a guerra civil americana, o Norte limitou a disponibilidade de sal para o Sul, contribuindo sobremaneira para que o resultado da guerra fosse favorável ao Norte. No entanto, se perguntarmos hoje a qualquer pessoa na rua, ou mesmo para a maioria dos médicos, sobre a importância do sal, certamente, o consenso é de que ele é prejudicial à saúde. Por estar associado ao aumento da pressão arterial, o sal é recomendado em baixíssimas doses na dieta (hipossódica) por quase a totalidade dos profissionais de saúde.

É nesse momento que dou início ao questionamento deste artigo – sendo tão importante no passado, é possível agora afirmar que uma dieta com baixo consumo de sal previne e/ou contribui no tratamento da hipertensão e de outras doenças?

Os estudos que afirmam que o aumento na ingestão de sal provoca a elevação da pressão arterial foram realizados em animais, utilizando de 10 a 20 vezes a mais do que as doses recomendadas e isso foi feito com sal refinado (não integral). Esses resultados foram transportados para a espécie humana.

Em 1979, o governo americano emitiu um relatório em que dizia que a pressão alta era causada pela ingestão excessiva de sal, sendo, portanto, necessário adotar uma dieta de baixo consumo para combatê-la (U.S. DEPT. OF HEALTH, EDUCATION AND WELFARE. HEALTHY PEOPLE: SURGEON GENERAL’S REPORT ON HEALTH PROMOTION AND DISEASE PREVENTION, 1979).

A pesquisa mais significativa nessa área foi a Intersalt Trial, que contou com a participação de 10 mil indivíduos de 52 centros, em 39 países. Somente em quatro desses 52 centros ficou evidente que sal contribuía para a elevação da pressão arterial – representados por dois no Brasil, formados por índios Yanomami e Xingu – e dois em Papua-Nova Guiné. Por ter várias características peculiares, esses povos possibilitaram estabelecer uma correlação significativa. Depois de concluída, a pesquisa registrou que uma redução drástica na ingestão de sal resultou em uma diminuição mínima de 3 – 6 mmHg na pressão sistólica e 0,3mmHg na pressão diastólica4.

O sistema de informações Cochrane – que concentra os principais dados médicos do mundo, em uma única plataforma – analisou 57 ensaios clínicos sobre dieta baixa em sal (hipossódica), em um período de 25 anos.

Nesse caso, o efeito hipotensivo foi de 1,27 mmHg para a pressão sistólica e 0,54 mmHg para a pressão diastólica. Isso significa que uma pressão arterial de 180 mmHg (18 cm) de sistólica e 95 mmHg (95 cm) de diastólica, com a dieta baixa em sal, foi para 178,73 mmHg (17,9cm) de sistólica e 94,95 mmHg (9,49cm) de diastólica5. Um resultado não muito expressivo, não é verdade?

O estudo The National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) é conduzido pelo departamento de agricultura americana a cada década, com o objetivo de avaliar a dieta dos americanos e quais suas consequências para a saúde. Tanto no NHANES I6 quanto no NHANES II7 houve uma redução na mortalidade cardiovascular entre os indivíduos em que a ingestão de sal era superior. O maior risco de morte encontrava-se entre os que ingeriam menos que 2.300 mg/ dia7.

Até o momento, essas são consideradas as duas maiores pesquisas realizadas sobre os efeitos deletérios de uma dieta hipossódica. Em um recente estudo europeu – sobre o consumo de sódio e excreção urinária – foi avaliado o efeito do sal na pressão arterial e na mortalidade. Essa análise envolveu 3.681 indivíduos, sendo que 2.096 eram normotensos, ou seja, tinham pressão arterial normal. Os pesquisadores concluíram que o baixo consumo de sódio foi associado com uma maior mortalidade cardiovascular8.

Diabéticos também não são beneficiados pelas dietas hipossódicas. Pelo contrário. Nesses casos, nota-se um aumento de mortes tanto cardiovascular, quanto por todas outras causas9. Além disso, o baixo consumo de sal causa deficiência de magnésio, cálcio, potássio e vitaminas do grupo B10.

Magnésio e potássio, por sinal, são conhecidos pela sua ação anti-hipertensiva. O estudo NHANES, por exemplo, mostrou que a baixa ingestão de magnésio, potássio e cálcio está diretamente associada com níveis de pressão elevados. Por isso, é impossível tratar um paciente hipertenso que se apresenta com hipomagnesemia(deficiência de magnésio) simplesmente administrando magnésio e haverá um efeito hipotensivo11.

Se o sal é tão necessário ao organismo, porque existe essa recomendação contra seu uso nos alimentos? Esse é tema que falta discutir: há alguma vantagem terapêutica no uso do sal e principalmente do sal integral (não refinado) na prevenção e tratamento de doenças? Minha resposta é sim! Existe uma razão para o uso do sal na nossa alimentação e, sobretudo uma grande diferença entre o sal refinado (NaCl, sal de mesa) e o sal integral. No primeiro, a composição de sódio (Na) e cloreto (Cl) é maior do que a do sal integral, além de contar com a presença de substâncias químicas (branqueadores)

usadas para remover as “impurezas” e deixar somente NaCl. Essas substâncias nocivas são: ferrocianeto de alumínio, citrato de amônia, silicato de alumínio, ácido sulfúrico e dextrose (glicose – açúcar refinado).

A “purificação” – retirada de minerais oligoelementos ou microminerais essenciais para o organismo – faz com a durabilidade do sal na gôndola dos supermercados seja maior. Como é do conhecimento médico, os minerais são alcalinizantes (capazes de controlar a acidez no organismo). Sua deficiência – ou mesmo a presença uma doença crônica –provoca acidose metabólica (acidez no sangue).

Diferentemente do refinado, o sal integral (não refinado) não passa pelo processo de “purificação”, mantendo sua composição com cerca de 80 minerais e elementos, todos naturais e essenciais para o organismo.

Além de conter menos sódio e cloreto, a versão integral conta com muitos oligoelementos, necessários à manutenção da homeostase (equilíbrio fisiológico), que corresponde à capacidade de o organismo apresentar uma situação físico-química característica e constante, mesmo diante de alterações no meio ambiente.

As dietas atuais, infelizmente, têm colaborado para que muitas pessoas fiquem em um estado de deficiência mineral, o que torna muito difícil, quase impossível, se livrar de uma doença crônica caso a acidez metabólica não seja apropriadamente corrigida, incluindo a hipertensão (pressão alta).

Em seu livro Salt – you way to health, o Dr. David Brownstein relata um experimento interessante, feito por sua filha Jessy Brownstein. Ao usar duas meia xícaras de água mineral (com pH 6,4) – colocando em uma delas uma colher de chá de sal refinado e na outra uma colher de chá de sal integral –, ela observou que na primeira meia xícara (sal refinado) o pH diminuiu para 6,0, enquanto que na segunda meia xícara (sal integral – sal do mar céltico) o pH aumentou para 6,8. Sabendo-se que o pH é expresso em uma escala logarítmica, o que houve, na realidade, foi um aumento de oito vezes no potencial hidrogeniônico (pH6,0 vs. pH6,8) entre a diluição do sal refinado e do sal integral. Isso, portanto, comprova que o sal integral pode ser um nutriente importante na prevenção e tratamento da acidose metabólica.

O sal refinado (38% de sódio e 60% de cloreto) o integral (33% de sódio e 50% de cloreto) tem uma função fisiológica fundamental no funcionamento apropriado do organismo. Uma dieta baixa em sal (hipossódica) acarreta uma série de efeitos metabólicos indesejáveis, como a maior liberação de renina, angiotensina, aldostesterona, noradrenalina e insulina, substâncias essas que podem trazer consequências deletérias12-13. Segundo o Dr. Brownstein: “o sal integral é capaz de otimizar os sistemas imune e endócrino. É impossível ter um sistema imune funcional na presença de deficiência de sal”.

A elevação de colesterol e LDL – colesterol tem sido associado a eventos cardiovasculares adversos, incluindo o acidente vascular cerebral (derrame) e o infarto do miocárdio. Uma dieta baixa em sal, segundo pesquisa, pode causar um aumento significativo (> 10 %) no colesterol

e no LDL colesterol14. Por outro lado, a baixa ingestão de sal aumenta a resistência insulínica e, consequentemente, um aumento nos níveis de insulina e, portanto um aumento na predisposição ao diabetes12.Quando está em baixa no organismo, a deficiência do sal é capaz de aumentar em 400 % o risco de infarto do miocárdio, de acordo com dados da pesquisa MRFIT, feita com 361.662 homens15. Em outro estudo, 2.937 indivíduos hipertensos foram avaliados conforme sua ingestão de sal. Os com baixa ingestão de sal apresentaram um aumento de 430% no risco de infarto do miocárdio, em comparação aos que consumiam sal sem nenhuma restrição6.

A habilidade dos rins em eliminar o sódio está relacionada com o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que regula a excreção e a absorção de sódio nos rins, suor e trato digestório. A insulina, por sua vez, é o hormônio que envia o comando para os rins, com a finalidade de reabsorver sódio16. Portanto, quando as pessoas são submetidas a uma dieta baixa em carboidratos, elas eliminam mais fluidos do que o normal. O aumento de carboidratos na dieta eleva os níveis de insulina e eleva a retenção de sódio.

Uma dieta baixa em sal gera um aumento de insulina e da resistência insulínica com retenção de sódio e fluidos17. Esse talvez seja o motivo da dieta hipossódica estar associada a um aumento de mortalidade em pacientes diabéticos 9.O sal, curiosamente, é um agente importante na detoxificação do corpo, especialmente nos casos de toxicidade relacionada ao bromo, que pode causar desde delírios até quadro clínico de esquizofrenia 18. O bromo é um elemento indesejável para a fisiologia humana. O bromo e o cloreto competem pela excreção renal. Portanto, quando ocorre uma diminuição de cloreto no organismo, como no caso de uma dieta hipossódica, haverá concomitantemente uma maior absorção de bromo nos rins e, com isso, um aumento da vida média do bromo no sangue.

Estudos feitos em ratos têm demonstrado que uma dieta hipossódica pode aumentar a vida média do bromo no sangue em até 733% (de três para 25 dias)19. Isso, certamente, interferirá na funcionalidade tireoidiana, levando a um quadro clínico de hipotireoidismo.

Diante de todas essas informações, as conclusões pragmáticas dessa avaliação correspondem a:

  • Os sais não são iguais. O sal integral tem um poder alcalinizante oito vezes superior ao sal de mesa e aproximadamente 80 minerais importantes para a fisiologia humana;
  • A redução do sal na dieta afeta quase nada os níveis pressóricos e não constitui uma abordagem terapêutica muito útil no tratamento da pressão alta;
  • Dieta baixa em sal leva a um aumento indesejável da resistência insulínica e a um aumento significativo de colesterol e LDL – colesterol;
  • Reduzir a ingestão de sal na dieta não é a solução e tudo indica que pode causar problemas adicionais de saúde;
  • O sal é um agente destoxificante que contribui para o bom funcionamento corporal e manutenção da homeostase;
  • Assim como o oxigênio e a água, o sal é essencial à vida. Devemos ter cuidado para não criar um quadro de hiponatremia (deficiência de sódio), utilizando uma dieta muito baixa em sal.

A decisão de como proceder daqui por diante está em suas mãos. Lembre-se sempre de consultar seu médico e/ou nutricionista antes de mudar seus hábitos alimentares. Recomendo que leve um impresso deste artigo.Um pensamento para reflexão:

 “Lembre-se de que uma uva uma vez madura, não volta a ser verde!”

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Dr. Lair Ribeiro — Palestrante internacional, ex-diretor da Merck Sharp & Dohme e da Ciba-Geigy Corporation, nos Estados Unidos, e autor de vários livros que se tornaram best-sellers no Brasil e em países da América Latina e da Europa. Médico cardiologista, viveu 17 anos nos Estados Unidos, onde realizou treinamentos e pesquisas na Harvard Unversity, Baylor College of Medicine e Thomas Jefferson University.

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