Por Nurya Ribeiro

Sim, o Trump ganhou! Ao ver as redes sociais após o anúncio imaginei Orson Welles, com a fabulosa Guerra dos Mundos, sentindo inveja – do outro lado da vida – com o estardalhaço que o novo presidente dos EUA eleito causou. Enquanto uns se diziam de direita, esquerda, memes dos mais divertidos surgiam entre notícias de desesperos.

Mas o que mais chamou minha atenção é como que o ‘outro’ é sempre o causador do nosso problema, ‘nunca somos responsáveis por nossa história’. Aliás as redes sociais viraram, entre outras coisas, um julgamento sem fim. Quando nos colocamos em um ‘devido papel’ seja ele de posição política ou outra, nos tornamos refém, ‘não posso gostar do que o amiguinho acima fala’- tão infantil quanto ficar de mal.

Isso acontece com política, feminismo, posição social e tudo que seja para castrar o seu pensamento, no fundo é muito mais fácil pegar a opinião do outro do que formar e lutar pela sua. Quem votou na Hilary não pode gostar – em nada – do Trump e vice e versa. E, assim formamos um caos. Não estou falando que um ou outro é bom ou ruim, para isso tem a consciência de cada um, mas parar e analisar os dois, desprovidos de ‘achismos’ dos outros é um teste de autoconhecimento. Em um mundo tão ‘liberal’, nos tornamos tão chatos e ‘castradores’. Somos mal resolvidos, essa é a verdade. Mas nossa mente, só funciona como um paraquedas, ou seja, se estiver aberto. Eu só posso entender o outro se ao menos me abrir para conhece-lo, isso não quer dizer que eu seja obrigada a gostar do que vejo, mas respeitar, sim!

Felizes daqueles que não ‘se procuram’ em redes sociais, mas se encontram na magnitude em abrir suas mentes no silêncio do autoconhecimento.

As redes sociais dão uma aula sobre isso, pessoas se sentem ‘instigadas’ a escrever e bater boca. E, mais a carência e a falta de encontro consigo mesmo – até por falta de coragem de encarar o nosso lado obscuro – é tão grande que preciso postar fotos que a ‘MINHA vida é bela’. Chegamos ao fundo do poço, tamanha nossa pobreza em aprofundar se no que realmente importa.

Poucos são os corajosos que querem confrontar-se – consigo mesmo. Poucos são aqueles que estão afim de pagar um preço e ir contra tendências. Aqueles que os fazem são escorraçados ou viram heróis – isso depende da pobreza da próxima tendência -, mas quem se encontra está pouco se lixando para que os outros acham, ele ‘veste uma ‘roupa’ que só pertence a ele, e o lugar que ‘habita’ é solitário pois só assim encontra a quem interessa, o seu próprio eu.

Felizes daqueles que não ‘se procuram’ em redes sociais, mas se encontram na magnitude em abrir suas mentes no silêncio do autoconhecimento.